Paciente do sexo feminino, 27 anos, é atendida em Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com história de dor abdominal, com início em epigástrio há dois dias, contínua, sem fatores de melhora, associada a náuseas e perda de apetite, evoluindo para dor em fossa ilíaca direita há 1 dia e febre de 38,2 °C no dia do atendimento. Nega comorbidades, cirurgias prévias ou uso de medicações regulares. Relata que a última menstruação foi há 23 dias, e apresenta ciclos regulares de 28 dias. Exame físico: regular estado geral, corada, desidratada +/4+, eupneica, anictérica, acianótica; ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações; ruídos hidroaéreos diminuídos, descompressão brusca dolorosa em quadrante inferior de abdome à direita.
A pegadinha é diagnosticar infecção urinária pela urina alterada e ignorar dor migratória mais peritonismo.
Piúria e hematúria discretas podem ocorrer na apendicite por proximidade do apêndice com ureter e bexiga.
Em mulher em idade fértil com abdome agudo, beta-hCG é obrigatório.
Ultrassonografia pode iniciar a investigação, mas sinais peritoneais exigem avaliação cirúrgica sem demora.
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Contexto
A dor que começa mal localizada em epigástrio e migra para a fossa ilíaca direita é típica de apendicite. No início, a distensão do apêndice estimula fibras viscerais e produz dor central ou epigástrica; quando a inflamação alcança o peritônio parietal, a dor se localiza no quadrante inferior direito. Anorexia, náuseas, febre, leucocitose com desvio à esquerda e descompressão brusca dolorosa aumentam muito a probabilidade diagnóstica.
As diretrizes WSES 2020 apoiam ultrassonografia como primeiro exame em jovens quando há expertise, com tomografia se o exame for inconclusivo e a dúvida persistir. A presença de peritonismo exige parecer cirúrgico imediato; a imagem não deve atrasar a avaliação do cirurgião.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Leucocitúria e hematúria discretas não superam o padrão de dor migratória e peritonismo. Infecção urinária costuma causar disúria, urgência, dor lombar ou suprapúbica e não explica a descompressão brusca em fossa ilíaca direita.
B) Incorreta. Metotrexato é usado em gravidez ectópica selecionada, mas o beta-hCG é negativo e o quadro é apendicular. Tomografia pode ser necessária se a ultrassonografia for inconclusiva, não acompanhada de metotrexato.
C) Incorreta. Antibioticoterapia ambulatorial isolada é inadequada diante de suspeita de apendicite com sinais de irritação peritoneal e necessidade de avaliação cirúrgica.
D) Correta (gabarito). Ultrassonografia abdominal é um exame inicial apropriado em mulher jovem e o parecer cirúrgico é obrigatório diante da alta probabilidade de apendicite e do peritonismo.