Homem de 48 anos, auxiliar de pedreiro, procura Unidade Básica de Saúde (UBS) com queixa de dor lombar iniciada há 3 semanas, de instalação insidiosa, sem irradiação. Relata que a dor piora ao final do dia e melhora parcialmente com repouso e uso de paracetamol. Nega perda de peso, febre, traumas, incontinência ou fraqueza nos membros inferiores. Ao exame físico, apresenta dor à palpação paravertebral em região lombar, sem alterações neurológicas.
A pegadinha é solicitar imagem apenas porque a dor dura semanas: sem sinal de alarme, o tratamento inicial é clínico.
Evite repouso no leito; movimento e retorno gradual às atividades favorecem recuperação.
Imagem precoce é reservada para suspeita de doença grave ou déficit neurológico progressivo.
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Contexto
O quadro é de lombalgia mecânica inespecífica subaguda: dor paravertebral, relacionada à carga de trabalho, sem irradiação, febre, trauma, perda ponderal, alteração esfincteriana ou déficit neurológico. Na ausência de sinais de alarme, radiografia e ressonância não melhoram o desfecho e frequentemente mostram alterações degenerativas incidentais, que podem aumentar ansiedade e intervenções desnecessárias.
A conduta inicial é educação sobre o prognóstico favorável, manutenção das atividades habituais dentro da tolerância, exercício leve e analgesia individualizada. Repouso no leito deve ser evitado, porque prolonga incapacidade e retarda o retorno funcional. A imagem passa a ser considerada quando há suspeita de fratura, câncer, infecção, síndrome da cauda equina ou déficit neurológico progressivo, ou quando a dor persiste apesar do manejo conservador e o resultado modificará a conduta.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ressonância e encaminhamento ortopédico imediato não são indicados sem sinal de alarme, radiculopatia importante ou déficit neurológico.
B) Incorreta. Radiografia não é necessária na lombalgia inespecífica sem trauma ou suspeita estrutural. Corticoide sistêmico não é tratamento rotineiro da dor lombar axial sem radiculopatia.
C) Incorreta. Repouso e afastamento prolongado favorecem descondicionamento. Antidepressivo tricíclico não é analgesia inicial para um episódio mecânico de três semanas; pode ser considerado em situações selecionadas de dor crônica neuropática, não neste caso.
D) Correta (gabarito). Educação, analgesia, atividade física leve e reavaliação em quatro a seis semanas correspondem ao manejo conservador apropriado para lombalgia mecânica sem sinais de alarme.