Homem de 34 anos se dirige à Unidade Básica de Saúde (UBS) com febre (38,5 °C), dores de moderada intensidade e manchas no corpo há 3 dias. No dia da consulta, iniciou com dores abdominais e vômitos incontroláveis. Exame físico: prostrado, mucosas coradas, extremidades bem perfundidas. Pressão arterial de 120 x 80 mmHg; frequência respiratória de 16 irpm; frequência cardíaca de 80 bpm. Leve dor à palpação abdominal, sem outras alterações.
A pegadinha é usar pressão normal para afastar gravidade: sinal de alarme já define grupo C antes do choque.
Dor abdominal intensa ou contínua e vômitos persistentes exigem hidratação intravenosa e observação.
Até o quinto dia, prefira detecção direta; a partir do sexto, a sorologia IgM é mais útil.
A banca costuma cobrar a transição do grupo B para o C pela presença de um único sinal de alarme.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O quadro é compatível com dengue no terceiro dia de doença. Dor abdominal e vômitos persistentes são sinais de alarme, mesmo com pressão arterial normal, extremidades perfundidas e ausência de sangramento. Pelo manual Dengue: diagnóstico e manejo clínico do Ministério da Saúde de 2024, qualquer sinal de alarme classifica o paciente no grupo C, que corresponde à dengue com risco de evolução por extravasamento plasmático, mas ainda sem choque ou disfunção grave de órgão.
No grupo C, deve-se obter hematócrito antes da expansão quando isso não atrasar o tratamento e iniciar cristaloide isotônico por via intravenosa, com reavaliações clínicas e do hematócrito. A investigação etiológica não pode atrasar a hidratação. Até o quinto dia, testes de detecção direta, como antígeno NS1 ou método molecular, apresentam melhor utilidade; a partir do sexto dia, a sorologia IgM ganha maior rendimento.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Dor abdominal e vômitos incontroláveis retiram o paciente do grupo B. Alta para acompanhamento domiciliar, mesmo após exames, é insegura diante de sinais de alarme.
B) Incorreta. A classificação como grupo C está correta, mas hidratação apenas oral e seguimento ambulatorial são insuficientes. Além disso, no terceiro dia, IgM pode ainda estar negativa.
C) Correta (gabarito). Reconhece o grupo C, indica hidratação parenteral, controle sintomático, investigação com hemograma e teste de detecção direta e mantém o paciente em observação até regressão dos sinais de alarme e estabilidade clínica e laboratorial.
D) Incorreta. O manejo intravenoso e a observação são apropriados, mas a classificação como grupo B ignora os sinais de alarme. Solicitar simultaneamente NS1 e IgM no terceiro dia também não corrige o erro de classificação.