Mulher de 28 anos, estudante universitária, comparece à Unidade Básica de Saúde (UBS) para consulta agendada. Refere ter realizado seus últimos exames de rotina há cerca de 3 anos, com resultados normais. Faz uso regular de anticoncepcional oral combinado há 2 anos, não faz uso de preservativo. Relata que seu namorado apresentou uma úlcera no pênis, há cerca de 30 dias, tratado com uma injeção de benzetacil. Ele fez um teste rápido para HIV e deu reagente. Teve sua última relação sexual com ele há 2 dias. Exame físico sem alterações.
A pegadinha central é que a questão não possui alternativa integralmente correta. A alternativa A acerta a PEP para HIV, mas falha no manejo da exposição à sífilis.
PEP deve começar até 72 horas e durar 28 dias com TDF/3TC mais DTG.
Não espere confirmação do parceiro para iniciar PEP quando a exposição é de risco.
Teste negativo logo após exposição à sífilis não exclui infecção em janela imunológica.
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Contexto
A última relação sexual ocorreu há 48 horas com parceiro cujo teste rápido para HIV foi reagente. O PCDT do Ministério da Saúde para profilaxia pós-exposição classifica a PEP como atendimento de urgência: ela deve ser iniciada o mais precocemente possível e não possui benefício quando começada após 72 horas. A confirmação diagnóstica do parceiro não deve atrasar a profilaxia.
A úlcera peniana tratada com penicilina benzatina sugere sífilis primária no parceiro. A paciente deve ser testada e manejada como parceria sexual exposta à sífilis recente, considerando janela imunológica e tratamento epidemiológico conforme o tempo da exposição e a avaliação do caso-fonte. Condicionar toda conduta para sífilis exclusivamente a um teste inicial reagente pode deixar uma infecção recente sem tratamento.
A questão foi anulada porque nenhuma alternativa contempla integralmente o manejo. A alternativa A contém o esquema correto de PEP para HIV, mas torna o tratamento da sífilis dependente apenas da sorologia inicial, sem considerar o manejo epidemiológico da parceria exposta.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. É a alternativa mais próxima, pois indica testagem ampla e o esquema preferencial de PEP por 28 dias. Entretanto, é incompleta ao condicionar a penicilina somente ao teste reagente, ignorando a possível janela imunológica e a necessidade de avaliar tratamento epidemiológico da parceria de caso de sífilis recente.
B) Incorreta. Não há sintomas urinários que justifiquem sumário de urina, fosfomicina ou azitromicina. A PEP não pode aguardar o comparecimento ou a confirmação diagnóstica do parceiro.
C) Incorreta. Doxiciclina por 21 dias não é o esquema de rotina para parceria sexual de sífilis precoce, e a PEP proposta contém apenas dois antirretrovirais. Além disso, a duração correta da PEP é de 28 dias, não 3 meses.
D) Incorreta. Urocultura e colpocitologia não respondem ao risco imediato. A alternativa ignora a indicação urgente de PEP e propõe antibióticos sem síndrome urinária ou vaginal que os sustente.