Transtornos alimentares na adolescência

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Questão 21
ENAMED · 2026

Mulher de 21 anos comparece à consulta médica em Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação de amenorreia há 4 meses, sendo descartada gravidez. Paciente relata que há 10 meses iniciou dieta para perder peso, tendo emagrecido nesse período aproximadamente 30 kg. Há 2 dias relata desmaio durante prática de exercício físico e, por isso, realizou eletrocardiograma (ECG) que indicou alterações no segmento ST e na onda T. Paciente nega histórico de diagnóstico de transtorno mental, mora sozinha e sua família é de outra cidade. Afirma manter o padrão alimentar, pois ainda quer perder peso. Ao exame físico, apresenta palidez de mucosa e turgor cutâneo diminuído. Altura = 1,63 m; peso = 39 kg (IMC = 14,7 kg/m2); pressão arterial = 80 x 60 mmHg; frequência cardíaca = 55 bpm e frequência respiratória = 15 irpm.

Qual é a conduta adequada nesse momento?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro é compatível com transtorno alimentar restritivo, provavelmente anorexia nervosa, com desnutrição grave e instabilidade clínica. A paciente perdeu 30 kg, mantém restrição apesar das consequências e apresenta IMC de 14,7 kg/m², pressão de 80 x 60 mmHg, desidratação, síncope e alterações de ST e onda T. Esses achados indicam risco de arritmia, distúrbios eletrolíticos, insuficiência circulatória e morte súbita.

A Diretriz da Associação Americana de Psiquiatria de 2023 considera fatores para internação médica em adultos, entre outros, frequência cardíaca abaixo de 50 bpm, pressão abaixo de 90/60 mmHg, IMC abaixo de 15 kg/m², síncope, alterações eletrocardiográficas e distúrbios metabólicos. A paciente preenche vários critérios mesmo com frequência cardíaca de 55 bpm.

A prioridade é internação clínica para monitorização cardíaca, avaliação de glicose, fósforo, potássio, magnésio, função renal e hepática, correção hidroeletrolítica e realimentação supervisionada. A reintrodução calórica exige vigilância para síndrome de realimentação, especialmente hipofosfatemia. A avaliação psiquiátrica deve ocorrer em conjunto, após ou simultaneamente à estabilização orgânica.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Hipotensão grave, IMC abaixo de 15 kg/m², síncope, desidratação e alteração eletrocardiográfica exigem internação em unidade clínica capaz de monitorar e corrigir complicações cardiovasculares e metabólicas.

B) Incorreta. Enfermaria exclusivamente psiquiátrica pode não dispor de monitorização e suporte para instabilidade hemodinâmica, arritmias e síndrome de realimentação. O cuidado psiquiátrico é necessário, mas não substitui a estabilização médica.

C) Incorreta. A amenorreia é provavelmente hipotalâmica, decorrente do déficit energético, e não é a prioridade diante do risco imediato de morte.

D) Incorreta. CAPS e acompanhamento ambulatorial são insuficientes para uma paciente com síncope, hipotensão e alteração no ECG.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é encaminhar primeiro para psiquiatria: instabilidade orgânica exige internação clínica.

  • IMC abaixo de 15 kg/m², pressão abaixo de 90/60 mmHg, síncope e alteração no ECG são marcadores de gravidade.

  • Na realimentação, monitore fósforo, potássio, magnésio, glicemia, balanço hídrico e ECG.

  • Amenorreia não é mais requisito diagnóstico de anorexia nervosa e não deve atrasar a estabilização.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Transtornos alimentares na adolescência” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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