Homem de 48 anos busca atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) para reiniciar tratamento para tuberculose. Paciente refere que iniciou o tratamento poliquimioterápico há 6 meses, quando foi diagnosticado com tuberculose; porém, há 2 meses, interrompeu o acompanhamento na sua unidade de origem devido ao uso de substâncias psicoativas. Ele se mudou para o território da unidade há 15 dias e foi visitado pelo agente comunitário, que o orientou a procurar atendimento médico para avaliação e retomada do tratamento. Foram solicitados, inicialmente, o teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB), baciloscopia de escarro e radiografia de tórax.
A pegadinha é manter esquema básico apesar de resistência à rifampicina: resistência detectada muda o fluxo terapêutico.
Retorno após interrupção exige cultura e teste de sensibilidade, não apenas repetir o diagnóstico inicial.
Baciloscopia positiva com TRM-TB negativo pode representar discordância técnica, baixa carga de DNA, bacilos inviáveis ou micobactéria não tuberculosa.
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Contexto
Retorno após interrupção do tratamento da tuberculose exige nova avaliação clínica, radiológica e bacteriológica, porque exposição parcial ao esquema aumenta a preocupação com persistência da doença, falha e seleção de resistência. O teste rápido molecular identifica DNA do complexo Mycobacterium tuberculosis e pesquisa resistência à rifampicina; a baciloscopia detecta bacilos álcool-ácido resistentes, mas não diferencia bacilos do complexo tuberculose, micobactérias não tuberculosas ou, em alguns contextos, bacilos inviáveis.
TRM-TB negativo com baciloscopia positiva é um resultado discordante. O Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil orienta esclarecer situações de retratamento e discordância com cultura para micobactérias e teste de sensibilidade. Como o teste molecular não demonstrou resistência à rifampicina, o esquema básico pode ser reiniciado enquanto se aguarda a cultura, com acompanhamento estreito e revisão da conduta quando o resultado estiver disponível.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. TRM-TB positivo sem resistência permite considerar esquema básico, mas, no retorno após perda de seguimento, é necessário complementar a investigação com cultura e teste de sensibilidade. A alternativa omite essa etapa relevante.
B) Incorreta. A frase é contraditória: TRM-TB negativo não demonstra resistência à rifampicina. Além disso, resistência confirmada impediria o simples reinício do esquema básico.
C) Correta (gabarito). A baciloscopia positiva mantém a suspeita de doença bacilífera, o TRM negativo exige esclarecimento por cultura e identificação, e o teste de sensibilidade avalia resistência. Na ausência de resistência demonstrada, reinicia-se o esquema básico enquanto se aguarda o resultado.
D) Incorreta. Resistência à rifampicina detectada exige confirmação e manejo em referência para tuberculose resistente, com esquema específico; reiniciar apenas o esquema básico favorece falha e ampliação da resistência.