Agentes penitenciários de uma unidade prisional informaram à equipe de saúde sobre o aumento de queixas de prurido intenso e lesões cutâneas entre as pessoas privadas de liberdade. Cada cela, prevista para 35 pessoas, está com lotação de 75.
A pegadinha é tratar somente quem coça. Em surto de escabiose, casos e contatos devem ser tratados simultaneamente.
Roupas e roupas de cama são manejadas no mesmo período para evitar reinfestação.
Superlotação e fluxos prisionais não são detalhes administrativos; são determinantes da transmissão e precisam entrar no plano de controle.
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Contexto
Prurido intenso com múltiplas lesões em unidade prisional superlotada sugere surto de escabiose, causada por Sarcoptes scabiei. A transmissão ocorre principalmente por contato cutâneo prolongado e é favorecida por aglomeração, compartilhamento de espaços e demora diagnóstica. Como pessoas infectadas podem permanecer assintomáticas por semanas, tratar apenas quem já apresenta lesões mantém a cadeia de transmissão.
Em surtos institucionais, o controle exige tratamento simultâneo dos casos e contatos da unidade afetada, busca ativa, comunicação à vigilância, definição de data comum para bloqueio e manejo coordenado de roupas, roupas de cama e ambiente. Itens laváveis devem ser submetidos a lavagem e secagem quentes; itens não laváveis podem ser isolados em saco fechado pelo período recomendado pelo protocolo local. A administração prisional deve participar da logística, e a superlotação precisa ser abordada como determinante estrutural.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Tratamento individual e isolamento apenas dos sintomáticos deixam contatos em incubação sem tratamento. Higienizar colchões e fornecer itens pessoais ajuda, mas não substitui bloqueio simultâneo.
B) Correta (gabarito). A alternativa reúne os componentes necessários para interromper o surto: tratamento coletivo simultâneo da população exposta, notificação à vigilância, reorganização operacional e medidas educativas e estruturais.
C) Incorreta. Restringir medicação apenas a casos confirmados é inadequado em cenário institucional com transmissão ativa, porque contatos assintomáticos podem perpetuar reinfestações. Tratamento tópico pode ser usado, mas a estratégia precisa ser simultânea.
D) Incorreta. Transferir casos graves e distribuir folhetos não controla a transmissão na unidade de origem. Educação é complementar e precisa vir acompanhada de busca ativa, tratamento dos expostos e manejo ambiental.