Sangramentos da segunda metade da gestação

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Questão 89
ENAMED · 2026

Gestante de 28 anos, idade gestacional desconhecida, situação de vulnerabilidade social, chega, trazida pelo Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (SAMU), com sangramento vaginal intenso, hipertonia uterina, pressão arterial de 130 x 90 mmHg, altura uterina de 32 cm, batimentos cardíacos fetais de 90 bpm. Toque vaginal: colo grosso, posterior impérvio. A acompanhante refere que a paciente fez uso de cocaína antes do ocorrido.

O diagnóstico, a conduta adequada e a complicação possível são, respectivamente,
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Sangramento vaginal intenso, hipertonia uterina e bradicardia fetal caracterizam descolamento prematuro de placenta. A separação da placenta normalmente inserida ocorre após ruptura de vasos deciduais, formando hematoma retroplacentário que reduz a superfície de troca materno-fetal e irrita o miométrio.

O uso de cocaína é fator de risco clássico por causar vasoconstrição intensa, elevação abrupta da pressão e isquemia placentária. O sangramento pode ser exteriorizado ou ficar retido atrás da placenta, motivo pelo qual a gravidade materna não é medida apenas pelo volume visível.

A frequência cardíaca fetal de 90 bpm indica sofrimento fetal agudo. Como o colo está grosso, posterior e impérvio, o parto vaginal não é iminente, sendo necessária cesariana imediata após início simultâneo da estabilização materna. Se houvesse óbito fetal e estabilidade materna, a via vaginal seria geralmente preferida por reduzir o risco hemorrágico operatório.

O sangue pode dissecar o miométrio até a serosa, produzindo coloração azul-arroxeada e hipotonia contrátil, condição denominada útero de Couvelaire. Coagulação intravascular disseminada, choque hemorrágico e insuficiência renal aguda também são complicações possíveis.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A hipertonia, a hemorragia e a bradicardia fetal definem descolamento placentário. Como há feto vivo em sofrimento e o parto vaginal não é iminente, a cesariana é indicada. O útero de Couvelaire é complicação clássica da infiltração hemorrágica miometrial.

B) Incorreta. A rotura de vasa prévia costuma ocorrer após a rotura das membranas, com sangramento de origem fetal, bradicardia e útero sem hipertonia. Amniotomia agravaria a hemorragia e não constitui tratamento.

C) Incorreta. O colo impérvio afasta trabalho de parto estabelecido. Tocolíticos são contraindicados diante de hemorragia placentária importante e comprometimento fetal.

D) Incorreta. Uma medida isolada de 130 por 90 mmHg não estabelece pré-eclâmpsia, que exige hipertensão confirmada e critérios diagnósticos adicionais. Rotura uterina é mais associada a cicatriz uterina, trauma ou trabalho de parto obstruído, não é a complicação característica deste quadro.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é confundir descolamento com vasa prévia. Sangramento com útero hipertônico e doloroso aponta para descolamento placentário.

  • Cocaína, hipertensão, trauma e antecedente de descolamento são fatores de risco recorrentes em prova.

  • Feto vivo em sofrimento e parto vaginal não iminente indicam cesariana; óbito fetal geralmente favorece parto vaginal, se a mãe estiver estável.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Sangramentos da segunda metade da gestação” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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