Homem de 23 anos, estudante universitário, é levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por um amigo da moradia estudantil, que o encontrou chorando, trancado no banheiro com diversas cartelas de medicamentos próximas de si. O paciente nega ter ingerido qualquer fármaco ou outras substâncias, mas admite estar pensando em dar fim à própria vida. Refere tristeza profunda há cerca de 2 meses, com piora recente após o término de um relacionamento. Diz estar “sem propósito na vida” e que “ninguém sentiria falta” se ele morresse. Conta que viu na internet que tomar muitos comprimidos de paracetamol seria a melhor forma de morrer. Relata insônia inicial e terminal, perda de apetite, queda de rendimento acadêmico e isolamento social. Nega uso atual de drogas ilícitas, mas admite consumo de álcool eventualmente. Abandonou psicoterapia após 2 sessões. Todos os familiares vivem em outro estado. Ao exame, apresenta-se vígil, orientado, com discurso discretamente lentificado, sem alucinações ou delírios evidentes. O contato visual é pobre, o afeto está intensamente rebaixado e não modulante. Exames laboratoriais gerais solicitados à chegada na UPA não mostram alterações.
A pegadinha é confiar na ausência de psicose ou na negativa de ingestão. Plano, meio disponível e desesperança definem alto risco mesmo com exame mental organizado.
O paciente não deve permanecer sozinho até a definição do cuidado seguro.
Após estabilização, a alta exige plano de segurança, retirada de meios letais, rede de apoio e seguimento rápido e articulado.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O paciente apresenta episódio depressivo com risco suicida agudo elevado. Os elementos que fecham a necessidade de cuidado protegido são ideação atual, método específico pesquisado, acesso imediato a comprimidos, desesperança intensa, isolamento social, queda funcional, abandono de tratamento e ausência de rede de apoio próxima. A negativa de ingestão não neutraliza o risco, sobretudo quando ele foi encontrado trancado com cartelas ao redor.
A conduta inicial, em consonância com o mhGAP da OMS, é não deixar o paciente sozinho, retirar meios letais, realizar avaliação médica e psiquiátrica urgente e garantir ambiente seguro. Também é necessário investigar possível intoxicação por paracetamol, porque a história pode ser incompleta e exames gerais normais não excluem toxicidade inicial. A internação em enfermaria de saúde mental de hospital geral ou serviço equivalente é indicada quando não é possível garantir segurança por manejo ambulatorial intensivo.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A UBS é essencial na continuidade do cuidado, mas encaminhamento ambulatorial isolado não oferece observação contínua nem restrição de meios diante de risco iminente.
B) Incorreta. Psicoterapia e equipe multiprofissional são componentes do tratamento após estabilização, mas não substituem proteção imediata em paciente com plano, acesso ao método e baixa sustentação social.
C) Incorreta. Avaliação ambulatorial em CAPS I não garante contenção e vigilância compatíveis com o risco atual. Serviços de crise com funcionamento contínuo podem participar do manejo quando disponíveis, mas a alternativa especifica acompanhamento ambulatorial insuficiente.
D) Correta (gabarito). A internação permite vigilância, restrição de meios, esclarecimento de possível intoxicação, avaliação psiquiátrica e início do tratamento do episódio depressivo em ambiente protegido.