Paciente masculino, 59 anos, atendido em hospital terciário com queixa de dor de moderada intensidade em fossa ilíaca esquerda (FIE), com início há 5 dias. Apresentou temperatura de 38 °C nas últimas 48 horas, associada à prostração. Não possuía comorbidades. Relatou episódio semelhante de menor intensidade há cerca de 1 ano, com resolução espontânea e um episódio de hematoquezia há 6 meses. No momento se encontra em regular estado geral, discretamente desidratado, com frequência cardíaca de 95 bpm; pressão arterial de 140 x 90 mmHg; índice de massa corporal de 30,5 mg/kg2. Abdome flácido, doloroso à palpação profunda em FIE e hipogástrio, com plastrão palpável em hipogástrio. Hemograma: leucócitos de 17.000/mm3 (valor de referência: 5.000 a 10.000/ mm3), 7% de bastões (valor de referência: 0 a 5%).
A pegadinha é pedir colonoscopia durante a crise. Diverticulite aguda se investiga com tomografia; colonoscopia fica para depois.
Plastrão, massa dolorosa ou sinais sistêmicos levantam suspeita de complicação e reforçam a necessidade de estadiamento por imagem.
A tomografia não apenas confirma o diagnóstico, mas define a estratégia terapêutica.
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Contexto
Dor em fossa ilíaca esquerda, febre, leucocitose e plastrão palpável sugerem diverticulite aguda do sigmoide, com possibilidade de doença complicada por inflamação pericólica ou abscesso. O exame de imagem deve confirmar a inflamação e, sobretudo, mostrar extensão extraluminal, coleção, perfuração, fístula ou obstrução.
As diretrizes da American Society of Colon and Rectal Surgeons de 2020 e da World Society of Emergency Surgery de 2020 apontam a tomografia de abdome e pelve com contraste como método inicial de escolha na suspeita de diverticulite. Além de alta acurácia, a tomografia permite classificar a gravidade e orientar tratamento conservador, drenagem percutânea ou cirurgia.
A colonoscopia não deve ser realizada durante a inflamação aguda, porque insuflação e instrumentação aumentam o risco de perfuração. Quando indicada para excluir neoplasia ou avaliar o cólon após episódio complicado, costuma ser programada depois da resolução clínica, em geral após 6 a 8 semanas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Radiografias podem mostrar pneumoperitônio, íleo ou obstrução, mas frequentemente são normais e não demonstram adequadamente inflamação pericólica ou abscessos.
B) Incorreta. Colonoscopia com biópsia é inadequada na fase aguda pelo risco de perfuração. Ela pode ser indicada posteriormente, após resolução do processo, sobretudo em casos complicados ou sem avaliação colônica recente.
C) Correta (gabarito). A tomografia contrastada confirma a diverticulite, diferencia formas não complicadas e complicadas e identifica achados que mudam a conduta, como coleção drenável e perfuração.
D) Incorreta. Ultrassonografia pode demonstrar espessamento parietal e inflamação da gordura, mas é mais dependente do operador e perde rendimento com obesidade, gases e doença profunda. Neste paciente obeso e com plastrão, a tomografia é superior.