Uma adolescente de 15 anos comparece em consulta ginecológica com a finalidade de iniciar contracepção. Na história patológica pregressa, refere episódios de enxaqueca com aura. Nos antecedentes familiares, relata que a avó materna teve diagnóstico de câncer de mama, sua mãe é hipertensa e sua irmã tem diabetes.
A pegadinha é se tranquilizar pela pouca idade: enxaqueca com aura contraindica estrogênio em qualquer faixa etária.
Enxaqueca sem aura não recebe automaticamente categoria 4, devendo-se avaliar idade e outros fatores vasculares.
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Contexto
Enxaqueca com aura aumenta independentemente o risco de acidente vascular cerebral isquêmico. A aura corresponde a sintomas neurológicos focais reversíveis, geralmente visuais, sensitivos ou de linguagem, que se desenvolvem gradualmente e precedem ou acompanham a cefaleia.
O estrogênio dos contraceptivos combinados aumenta síntese hepática de fatores de coagulação e favorece trombose arterial e venosa. O U.S. Medical Eligibility Criteria de 2024 classifica contraceptivos hormonais combinados em pacientes com enxaqueca com aura como categoria 4, condição em que o risco do método é inaceitável. A contraindicação independe da idade e permanece mesmo sem tabagismo, hipertensão ou outros fatores cardiovasculares.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Câncer de mama em avó materna não contraindica contraceptivo combinado. A preocupação maior ocorreria em paciente com câncer de mama atual ou recente.
B) Incorreta. Ter uma irmã com diabetes não aumenta diretamente o risco contraceptivo nem constitui contraindicação ao estrogênio.
C) Correta (gabarito). A combinação entre aura e estrogênio eleva o risco de acidente vascular cerebral isquêmico, tornando o método combinado contraindicado.
D) Incorreta. História materna de hipertensão não significa que a adolescente seja hipertensa. Ainda assim, mesmo com pressão normal, a aura já contraindica o método.