Mulher travesti de 28 anos, profissional do sexo, comparece à Unidade Básica de Saúde (UBS) em demanda espontânea. Relata relações sexuais frequentes com diferentes parceiros, com uso inconsistente de preservativos, principalmente durante relações anais receptivas. Há 2 dias teve uma relação sexual desprotegida com um cliente que se recusou a usar camisinha. Nunca utilizou medicamento para profilaxia pré-exposição (PrEP) ou pós-exposição (PEP) à infecção pelo HIV.
A pegadinha é oferecer apenas PrEP para uma exposição que já aconteceu: até 72 horas, a prioridade é PEP.
PEP deve começar o mais cedo possível e durar 28 dias.
Risco continuado indica transição direta de PEP para PrEP após exclusão de infecção pelo HIV.
A prevenção combinada inclui testagem de ISTs e atualização vacinal, não apenas antirretrovirais.
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Contexto
A relação anal receptiva sem preservativo há 48 horas é exposição sexual relevante e ocorreu dentro da janela máxima de 72 horas para iniciar profilaxia pós-exposição ao HIV. Conforme o PCDT de PEP do Ministério da Saúde de 2024, a profilaxia deve começar o mais cedo possível, após testagem inicial para HIV; se o teste for reagente, não se inicia PEP e a paciente deve ser vinculada ao cuidado para infecção pelo HIV.
A PEP é um esquema de três antirretrovirais por 28 dias. Como a paciente mantém exposições frequentes, também há indicação de PrEP para prevenção contínua. A transição pode ser feita ao término da PEP, sem intervalo desnecessário, após nova avaliação clínica e exclusão de infecção pelo HIV. A consulta deve incluir testagem para sífilis, hepatites B e C e outras ISTs conforme práticas e sítios de exposição, vacinação contra hepatite B quando indicada e estratégias de redução de danos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A exposição recente exige PEP imediata; iniciar PrEP primeiro e deixar PEP para depois inverte a sequência e não trata adequadamente o risco ocorrido há 2 dias.
B) Incorreta. PrEP isolada protege exposições futuras, mas não substitui a PEP para uma exposição relevante dentro das últimas 72 horas.
C) Correta (gabarito). A testagem inicial define se a paciente pode receber PEP, o esquema de 28 dias cobre a exposição recente e a programação de PrEP ao final oferece proteção contínua para o risco persistente.
D) Incorreta. PEP e PrEP não devem ser prescritas simultaneamente como dois esquemas independentes. Durante 28 dias, usa-se o esquema completo de PEP; depois, faz-se a transição para PrEP se o HIV permanecer excluído.