Paciente de 7 anos, na 4a semana de tratamento quimioterápico para leucemia linfocítica aguda, é admitido em hospital terciário com história de febre há 12 horas (temperatura axilar de 39 °C), tosse e dispneia. Após 24 horas da admissão, segue febril, apesar de ter usado dipirona há 1 hora, e mantém diurese de 2 mL/kg/h. Exame físico: hidratado; pálido; orientado no tempo e no espaço; frequência cardíaca de 130 bpm; temperatura axilar de 39 °C; frequência respiratória de 36 irpm; pressão arterial de 90 x 60 mmHg; boa perfusão periférica; murmúrio vesicular diminuído em base de hemitórax à direita, com crepitações; bulhas taquicárdicas; fígado a 4 cm do rebordo costal direito e 5 cm do apêndice xifoide; baço a 4 cm do rebordo costal esquerdo. Os exames laboratoriais evidenciam lactato aumentado, acidose metabólica e hemograma com leucocitose com desvio à esquerda.
A pegadinha é transformar qualquer hiperlactatemia em choque séptico; lactato é marcador de gravidade, não diagnóstico isolado de choque.
Phoenix 2024: infecção mais escore ≥ 2 define sepse pediátrica.
Boa perfusão e diurese preservada não excluem sepse, mas pesam contra choque manifesto.
Em criança em quimioterapia com febre, antibiótico e suporte não devem esperar a classificação definitiva.
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Contexto
A criança imunossuprimida apresenta febre, provável foco pulmonar, taquicardia, taquipneia, lactato elevado e acidose metabólica. O quadro indica infecção com repercussão sistêmica e possível disfunção orgânica. O Consenso Phoenix 2024 define sepse pediátrica por infecção suspeita ou confirmada associada a Phoenix Sepsis Score igual ou superior a 2 pontos, calculado a partir dos domínios respiratório, cardiovascular, coagulação e neurológico.
Choque séptico corresponde à sepse com disfunção cardiovascular. O enunciado não fornece todos os dados necessários para calcular formalmente o escore Phoenix, mas mostra pressão arterial preservada para a idade, boa perfusão periférica e diurese de 2 mL/kg/h, sem necessidade descrita de vasoativo. Assim, a classificação mais adequada entre as alternativas é sepse, e não choque séptico.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Há infecção pulmonar provável associada a repercussão sistêmica e metabólica, sem demonstração suficiente de choque circulatório.
B) Incorreta. Lactato elevado isoladamente não define choque séptico. É necessário comprovar disfunção cardiovascular, como hipotensão relevante, necessidade de vasoativo ou sinais consistentes de hipoperfusão.
C) Incorreta. Disfunção de múltiplos órgãos exige comprometimento relevante simultâneo de pelo menos dois sistemas. O enunciado não documenta esse conjunto.
D) Incorreta. Febre, taquicardia, taquipneia e leucocitose preencheriam critérios antigos de SIRS, mas SIRS é inespecífica e não é a definição atual de sepse pediátrica.