Cefaleias

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Questão 86
ENAMED · 2026

Mulher de 55 anos, sem história de doenças crônicas, procura atendimento por queixa de cefaleia persistente em ambos os lados do crânio, associada a alterações de visão (amaurose fugaz e diplopia), cansaço e artralgias. Relata dor em todo o couro cabeludo. Notou perda de peso (2 kg em 2 meses). Nega fotofobia ou fonofobia, febre ou náuseas, e afirma que não acorda de madrugada por conta da cefaleia. Nega qualquer problema de ordem emocional. Ao exame, a paciente encontra-se afebril, com pupilas isocóricas e sem rigidez de nuca.

Qual é o tipo de cefaleia dessa paciente, e qual exame seria útil na sua investigação preliminar, respectivamente?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Cefaleia nova após os 50 anos, hipersensibilidade difusa do couro cabeludo, sintomas constitucionais, artralgias e manifestações isquêmicas visuais sugerem arterite de células gigantes, também denominada arterite temporal. Trata-se de vasculite granulomatosa de artérias de médio e grande calibre, com predileção por ramos da carótida externa e possível comprometimento das artérias oftálmica e ciliares posteriores.

Amaurose fugaz e diplopia indicam isquemia ocular e antecedem perda visual definitiva. VHS e proteína C reativa costumam estar elevados e são os exames laboratoriais preliminares mais úteis, embora resultados normais não excluam completamente a doença. Anemia normocítica e trombocitose também podem acompanhar a inflamação.

A Diretriz ACR/Vasculitis Foundation de 2021 recomenda iniciar glicocorticoide imediatamente diante de forte suspeita, sem aguardar a confirmação. Quando há ameaça à visão, pulsoterapia intravenosa pode ser indicada. Ultrassonografia de artérias temporais e axilares, biópsia temporal e exames vasculares complementam a investigação, conforme disponibilidade e experiência do serviço.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Cefaleia bilateral pode ocorrer na cefaleia tensional, mas início após os 50 anos, perda ponderal, dor no couro cabeludo e sintomas visuais são sinais de alarme para etiologia secundária e obrigam investigação.

B) Incorreta. Hemorragia subaracnoideia costuma causar cefaleia súbita, máxima em segundos ou minutos, frequentemente acompanhada de vômitos, rigidez de nuca ou alteração da consciência. O curso persistente e subagudo não corresponde a esse padrão.

C) Incorreta. Migrânea pode causar sintomas visuais, mas não explica adequadamente o início tardio, a hipersensibilidade do couro cabeludo, as artralgias e a perda ponderal. A ausência de fotofobia, fonofobia e náuseas também torna essa hipótese menos provável.

D) Correta (gabarito). A apresentação reúne sinais clássicos de arterite temporal, uma cefaleia secundária. A velocidade de hemossedimentação é um exame preliminar útil para demonstrar inflamação sistêmica, devendo ser associada à proteína C reativa.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é chamar toda cefaleia bilateral de tensional. Cefaleia nova após os 50 anos com alteração visual é secundária até prova em contrário.

  • Amaurose fugaz na arterite de células gigantes é emergência terapêutica, pois a perda visual definitiva pode ocorrer rapidamente e atingir o outro olho.

  • Arterite de células gigantes e polimialgia reumática frequentemente coexistem.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Cefaleias” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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