Trabalho de parto prematuro e RPMO

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Questão 82
ENAMED · 2026

Paciente G3P1A1, idade gestacional de 24 semanas, comparece à consulta. Refere que na primeira gestação teve um abortamento com 16 semanas e na segunda, teve trabalho de parto vaginal muito rápido, na idade gestacional de 28 semanas. Na ultrassonografia transvaginal, realizada com 23 semanas desta gestação, detectou-se colo uterino com 1,5 cm de comprimento.

Qual é a conduta adequada à situação?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Comprimento cervical de 15 mm medido por ultrassonografia transvaginal antes de 24 semanas define colo uterino curto e indica risco elevado de parto prematuro espontâneo. O antecedente de perda gestacional com 16 semanas e parto espontâneo com 28 semanas aumenta ainda mais o risco e levanta a possibilidade de insuficiência cervical.

A progesterona vaginal reduz o risco de prematuridade em gestação única com colo curto. Um esquema utilizado é progesterona micronizada 200 mg por via vaginal à noite, mantida até 36 semanas ou 36 semanas e 6 dias, conforme o protocolo adotado.

Existe uma ressalva importante: em diretrizes contemporâneas, gestante com parto prematuro espontâneo prévio e colo inferior a 25 mm identificado antes de 24 semanas deve ser avaliada imediatamente para cerclagem cervical indicada pela ultrassonografia. Essa opção não foi oferecida. Mantido o gabarito, a progesterona é a única intervenção preventiva apropriada entre as alternativas, mas o caso real exigiria avaliação especializada para cerclagem, especialmente porque o colo já mede 15 mm.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A pesquisa de estreptococo do grupo B previne doença neonatal por transmissão vertical, não o encurtamento cervical nem o parto prematuro espontâneo. O rastreamento de rotina também ocorre mais tarde na gestação.

B) Incorreta. Atosiban é tocolítico utilizado por curto período diante de trabalho de parto prematuro com contrações. Não deve ser mantido continuamente até 34 semanas em gestante assintomática.

C) Incorreta. Nifedipina é tocolítico para inibição temporária de contrações, não profilaxia diária de colo curto. Uso até 39 semanas não possui indicação e pode causar hipotensão.

D) Correta (gabarito). A progesterona vaginal é a única alternativa que reduz o risco de prematuridade em gestante assintomática com colo curto. Contudo, o antecedente obstétrico e o colo de 15 mm também exigem avaliação urgente da indicação de cerclagem, ausente nas opções.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é usar tocolítico cronicamente sem trabalho de parto. Colo curto assintomático é prevenção, não tocólise.

  • Comprimento cervical de 25 mm ou menos no segundo trimestre é considerado curto.

  • Parto prematuro espontâneo prévio mais colo abaixo de 25 mm antes de 24 semanas coloca cerclagem na discussão atual.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Trabalho de parto prematuro e RPMO” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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