Paciente G3P1A1, idade gestacional de 24 semanas, comparece à consulta. Refere que na primeira gestação teve um abortamento com 16 semanas e na segunda, teve trabalho de parto vaginal muito rápido, na idade gestacional de 28 semanas. Na ultrassonografia transvaginal, realizada com 23 semanas desta gestação, detectou-se colo uterino com 1,5 cm de comprimento.
A pegadinha é usar tocolítico cronicamente sem trabalho de parto. Colo curto assintomático é prevenção, não tocólise.
Comprimento cervical de 25 mm ou menos no segundo trimestre é considerado curto.
Parto prematuro espontâneo prévio mais colo abaixo de 25 mm antes de 24 semanas coloca cerclagem na discussão atual.
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Contexto
Comprimento cervical de 15 mm medido por ultrassonografia transvaginal antes de 24 semanas define colo uterino curto e indica risco elevado de parto prematuro espontâneo. O antecedente de perda gestacional com 16 semanas e parto espontâneo com 28 semanas aumenta ainda mais o risco e levanta a possibilidade de insuficiência cervical.
A progesterona vaginal reduz o risco de prematuridade em gestação única com colo curto. Um esquema utilizado é progesterona micronizada 200 mg por via vaginal à noite, mantida até 36 semanas ou 36 semanas e 6 dias, conforme o protocolo adotado.
Existe uma ressalva importante: em diretrizes contemporâneas, gestante com parto prematuro espontâneo prévio e colo inferior a 25 mm identificado antes de 24 semanas deve ser avaliada imediatamente para cerclagem cervical indicada pela ultrassonografia. Essa opção não foi oferecida. Mantido o gabarito, a progesterona é a única intervenção preventiva apropriada entre as alternativas, mas o caso real exigiria avaliação especializada para cerclagem, especialmente porque o colo já mede 15 mm.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A pesquisa de estreptococo do grupo B previne doença neonatal por transmissão vertical, não o encurtamento cervical nem o parto prematuro espontâneo. O rastreamento de rotina também ocorre mais tarde na gestação.
B) Incorreta. Atosiban é tocolítico utilizado por curto período diante de trabalho de parto prematuro com contrações. Não deve ser mantido continuamente até 34 semanas em gestante assintomática.
C) Incorreta. Nifedipina é tocolítico para inibição temporária de contrações, não profilaxia diária de colo curto. Uso até 39 semanas não possui indicação e pode causar hipotensão.
D) Correta (gabarito). A progesterona vaginal é a única alternativa que reduz o risco de prematuridade em gestante assintomática com colo curto. Contudo, o antecedente obstétrico e o colo de 15 mm também exigem avaliação urgente da indicação de cerclagem, ausente nas opções.