Doenças da tireoide

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Questão 58
ENAMED · 2026

Mulher de 45 anos é internada em hospital de média complexidade com queixas de febre (em torno de 38 °C), mialgia, mal-estar e dor na região cervical anterior, irradiada para a mandíbula e orelhas. Há 2 semanas, iniciou quadro sugestivo de infecção viral respiratória alta, com evolução clínica lenta desde então, passando a sentir palpitações e tremores nos últimos 3 dias. Procurou atendimento na unidade de saúde. Ao exame físico, a paciente se encontra febril, com taquicardia desproporcional à temperatura corporal e tremores finos nas extremidades. À palpação da tireoide: glândula dolorosa, firme e levemente aumentada de tamanho, assimétrica, não nodular. As dosagens da velocidade de hemossedimentação e proteína C reativa se mostraram elevadas.

Considerando a principal hipótese diagnóstica para o caso, quais exames complementares a sustentariam e qual o tratamento indicado, respectivamente?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro é de tireoidite subaguda granulomatosa, ou tireoidite de De Quervain: dor cervical anterior irradiada para mandíbula e orelhas após infecção respiratória, tireoide firme e dolorosa, febre, VHS e proteína C reativa elevados, além de sintomas de tireotoxicose. A inflamação rompe folículos e libera T3 e T4 previamente armazenados. Portanto, há excesso hormonal circulante sem aumento da síntese.

Na fase tireotóxica, espera-se TSH suprimido, T4 livre elevado e captação de iodo radioativo baixa. A baixa captação discrimina tireoidite destrutiva de doença de Graves e autonomia nodular, nas quais a glândula está sintetizando hormônio e capta mais traçador. Ultrassonografia com Doppler costuma mostrar áreas hipoecoicas e vascularização reduzida, em contraste com a hipervascularização de Graves.

O tratamento recomendado pela American Thyroid Association é sintomático: anti-inflamatório não esteroidal para dor e inflamação, glicocorticoide nos casos intensos ou refratários e betabloqueador para palpitações e tremor. Tionamidas, como metimazol, não funcionam porque não há hiperprodução hormonal a bloquear.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A redução da captação confirma o mecanismo destrutivo, e a associação de anti-inflamatório com betabloqueador trata, respectivamente, a inflamação dolorosa e os sintomas adrenérgicos.

B) Incorreta. Nódulo quente sugere autonomia funcional e costuma ser indolor, focal e hipercaptante. Tireoidectomia subtotal não é tratamento da tireoidite subaguda autolimitada.

C) Incorreta. Na tireotoxicose, o TSH deve estar baixo, não aumentado. TRAb positivo e ablação com radioiodo apontam para doença de Graves, condição geralmente indolor e com captação difusamente elevada.

D) Incorreta. TSH elevado é incompatível com a fase tireotóxica descrita. Oseltamivir não trata a inflamação tireoidiana estabelecida, e metimazol não reduz a liberação de hormônios já armazenados.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é tratar toda tireotoxicose com metimazol. Tireoide dolorosa, VHS alto e baixa captação indicam processo destrutivo.

  • Doença de Graves: glândula indolor, TRAb positivo e captação alta. Tireoidite subaguda: dor, marcadores inflamatórios altos e captação baixa.

  • A evolução pode passar de tireotoxicose para hipotireoidismo transitório antes da recuperação.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doenças da tireoide” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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