Adolescente de 13 anos, sexo masculino, procura atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) devido a manchas escurecidas nas dobras do pescoço, axilas e virilhas. Ao exame físico, índice de massa corporal está no Z escore entre +2 e +3 para a idade e sexo, relação da circunferência abdominal/estatura aumentada, com manchas hipercrômicas no pescoço, axilas e raiz da coxa, sem outros achados significativos.
A pegadinha é tratar a acantose como doença exclusivamente cutânea. Em adolescente obeso, ela sinaliza resistência à insulina e risco cardiometabólico.
Rastreie pressão arterial, perfil lipídico, metabolismo glicídico e ALT.
A diretriz pediátrica atual não recomenda ultrassonografia abdominal como exame isolado de rastreamento da esteatose hepática.
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Contexto
As placas hipercrômicas, espessadas e aveludadas nas regiões cervical, axilar e inguinal são compatíveis com acantose nigricans. Na obesidade pediátrica, ela funciona como marcador clínico de hiperinsulinemia e resistência à insulina: concentrações elevadas de insulina estimulam receptores de fatores de crescimento em queratinócitos e fibroblastos, promovendo hiperplasia cutânea.
O IMC entre os escores Z +2 e +3 define obesidade, e a relação cintura por estatura aumentada indica adiposidade central. A Diretriz Clínica da American Academy of Pediatrics de 2023 recomenda, a partir dos 10 anos, investigar dislipidemia, alteração do metabolismo glicídico e doença hepática esteatótica em crianças e adolescentes com obesidade. A avaliação inclui perfil lipídico, glicemia de jejum, hemoglobina glicada ou teste oral de tolerância à glicose e alanina aminotransferase.
Há uma divergência com o exame proposto no gabarito: a ultrassonografia não é o método inicial preferencial para rastrear esteatose hepática, pois pode ser normal em doença leve e não quantifica inflamação ou fibrose. A dosagem de ALT é recomendada como triagem inicial. A alternativa B permanece como gabarito por ser a única dirigida às complicações metabólicas e hepáticas, mas o rastreamento atual não deveria se limitar aos dois exames nela citados.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A acantose nigricans típica é diagnosticada clinicamente e não exige biópsia. A hemoglobina glicada pode integrar o rastreamento metabólico, mas a associação com um procedimento dermatológico desnecessário torna a alternativa inadequada.
B) Correta (gabarito). O perfil lipídico pesquisa uma comorbidade frequente da obesidade, e a avaliação hepática busca doença esteatótica associada à disfunção metabólica. Pela recomendação atual, entretanto, a triagem hepática deve começar pela ALT, reservando imagem para situações selecionadas.
C) Incorreta. Corticoide tópico e fotoproteção não corrigem a hiperinsulinemia que origina as lesões. A acantose não é uma dermatite inflamatória nem decorre da exposição solar.
D) Incorreta. As placas não correspondem a micose e não devem ser tratadas com antifúngico. O teste de tolerância à glicose pode ser apropriado para rastrear pré-diabetes ou diabetes, mas não valida o tratamento dermatológico proposto.