Paciente de 47 anos, sexo feminino, atendida no ambulatório de cirurgia geral. A paciente havia sido submetida à cirurgia de tireoidectomia total há 60 dias, devido à um carcinoma folicular de tireoide, o qual estava restrito à glândula. No pós-operatório imediato, a paciente apresentou rouquidão, que não melhorou durante o acompanhamento ambulatorial nesses 60 dias.
A pegadinha é marcar vago porque o recorrente é seu ramo. Na tireoidectomia, rouquidão persistente localiza a lesão no nervo laríngeo recorrente.
Lesão do ramo externo do laríngeo superior paralisa o cricotireóideo e prejudica principalmente a emissão de sons agudos.
Lesão bilateral do recorrente é emergência potencial por risco de obstrução da glote.
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Contexto
O nervo laríngeo recorrente é ramo do nervo vago e mantém relação íntima com a tireoide, especialmente próximo ao sulco traqueoesofágico e à entrada da laringe, junto ao ligamento de Berry. Ele fornece inervação motora a todos os músculos intrínsecos da laringe, exceto o cricotireóideo, além de sensibilidade abaixo das pregas vocais.
A lesão unilateral provoca paresia ou paralisia de uma prega vocal, com rouquidão, voz soprosa e fadiga vocal. A lesão bilateral pode manter as pregas próximas à linha média, produzindo estridor e obstrução respiratória. Rouquidão iniciada imediatamente após tireoidectomia e persistente por 60 dias exige laringoscopia para documentar a mobilidade das pregas vocais e diferenciar lesão neural de edema, hematoma ou trauma da intubação.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A proximidade do nervo laríngeo recorrente com a face posterior da tireoide torna esse ramo vulnerável durante a tireoidectomia. Sua lesão unilateral explica a rouquidão persistente desde o pós-operatório imediato.
B) Incorreta. O glossofaríngeo participa da sensibilidade da orofaringe, do paladar no terço posterior da língua e do componente aferente do reflexo nauseoso. Sua lesão causa disfagia e redução do reflexo, não paralisia isolada da prega vocal.
C) Incorreta. O hipoglosso inerva a musculatura da língua. Sua lesão provoca desvio da língua para o lado afetado, atrofia e dificuldade de articulação, sem explicar a disfonia laríngea isolada.
D) Incorreta. O laríngeo recorrente origina-se do vago, mas uma lesão alta do nervo vago produziria déficit mais amplo, envolvendo palato, deglutição, reflexo nauseoso e múltiplos ramos laríngeos. O sítio cirúrgico e a manifestação apontam especificamente para o recorrente.