Paciente de 25 anos, com duas gestações e um parto, no segundo trimestre de gestação, compareceu à primeira consulta de pré-natal sem queixas. Após orientações e realização dos testes rápidos, verificou-se que o teste para sífilis foi positivo e imediatamente a paciente recebeu 2,4 milhões UI de penicilina benzatina intramuscular. Paciente nega diagnóstico e tratamento prévios para sífilis.
A pegadinha central é semântica: duas diluições correspondem a queda de quatro vezes, como 1:32 para 1:8.
Gestante com sífilis deve realizar VDRL ou RPR quantitativo mensal; teste treponêmico não serve para controle de cura.
Sem prova de infecção recente, trate como duração ignorada: 2,4 milhões UI semanais por 3 semanas.
Título baixo só é cicatriz sorológica quando existe tratamento adequado prévio e estabilidade documentada.
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Contexto
O teste rápido para sífilis é treponêmico e, quando reagente na gestação, autoriza o início imediato da penicilina, sem aguardar o VDRL. Entretanto, a dose depende do estágio. Na ausência de sintomas, tratamento prévio documentado ou prova de infecção adquirida no último ano, deve-se considerar sífilis latente de duração ignorada e completar penicilina benzatina 2,4 milhões UI por semana durante 3 semanas, total de 7,2 milhões UI. A dose única já aplicada não garante tratamento completo nesse cenário.
O seguimento é feito com teste não treponêmico quantitativo, como VDRL ou RPR, mensalmente durante a gestação. Resposta sorológica adequada significa queda de duas diluições, equivalente a redução de quatro vezes no título, por exemplo, de 1:32 para 1:8. Testes treponêmicos, como FTA-Abs, geralmente permanecem reagentes por muitos anos ou por toda a vida e não medem atividade nem cura.
A questão foi anulada. A alternativa C parece tentar descrever a queda de duas diluições, mas usa a expressão imprecisa duas titulações, que pode ser entendida como queda de apenas duas vezes. Além disso, o acompanhamento não corrige um esquema terapêutico incompleto.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O tratamento adequado reduz muito a transmissão vertical e o risco de dano fetal, mas não permite garantir ausência de infecção ou sequelas, sobretudo quando iniciado tardiamente, incompleto ou sem documentação de resposta.
B) Incorreta. Título igual ou inferior a 1:4, isoladamente, não define cicatriz sorológica. É necessário tratamento prévio adequado documentado, queda esperada do título e posterior estabilidade em nível baixo.
C) Incorreta. A formulação correta é queda de duas diluições, isto é, redução de quatro vezes no título. Como a alternativa fala apenas em duas titulações, sem definir a relação entre os valores, ela é ambígua e motivou a anulação.
D) Incorreta. FTA-Abs reagente demonstra exposição ao Treponema pallidum, mas não diferencia infecção ativa, tratada ou cicatriz sorológica.