Colelitíase, colecistite e colangite

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Questão 98
ENAMED · 2026

Paciente de 43 anos, sexo feminino, internada em enfermaria de cirurgia. Refere icterícia, colúria e acolia, iniciadas há 72 horas. Paciente nega tabagismo, comorbidades ou episódios semelhantes previamente. Exame físico: ictérica (+++/++++), dor à palpação profunda de hipocôndrio direito; frequência cardíaca de 83 bpm; pressão arterial de 123 x 76 mmHg; temperatura axilar de 37,4 °C. Ultrassonografia de abdome: presença de múltiplas imagens móveis e arredondadas, de 0,5 a 1 cm de diâmetro, e dilatação de vias biliares intra e extra-hepáticas.

Nesse momento, quais são, respectivamente, o diagnóstico sindrômico e o exame complementar mais indicados para prosseguir à investigação?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Icterícia, colúria, acolia, predomínio de bilirrubina direta e elevação acentuada de fosfatase alcalina e gama-GT definem síndrome colestática. A dilatação simultânea das vias biliares intra e extra-hepáticas sugere obstrução mecânica distal, provavelmente coledocolitíase em paciente com cálculos biliares.

Colangite aguda exige infecção sobre uma via biliar obstruída. Pelos Tokyo Guidelines 2018, o diagnóstico combina três domínios: inflamação sistêmica, colestase e imagem compatível. A paciente apresenta colestase e dilatação ductal, mas está afebril, sem leucocitose, desvio à esquerda ou instabilidade, portanto não há evidência de colangite.

A colangiorressonância demonstra a árvore biliar de forma não invasiva e pode confirmar cálculo no colédoco. Existe divergência com o algoritmo da ASGE de 2019: bilirrubina total acima de 4 mg/dL associada à dilatação do colédoco classifica alto risco de coledocolitíase e pode justificar CPRE direta. Mantido o gabarito, a banca priorizou confirmação não invasiva porque não há colangite e o ultrassom não descreveu inequivocamente cálculo dentro do colédoco.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. O diagnóstico sindrômico sem colangite está correto, mas a tomografia convencional tem menor sensibilidade para pequenos cálculos biliares do que colangiorressonância ou ecoendoscopia.

B) Incorreta. A colangiorressonância é adequada para investigação, mas não há sinais de inflamação sistêmica que permitam classificar o quadro como colangite.

C) Correta (gabarito). O padrão laboratorial e clínico define colestase sem colangite, e a colangiorressonância é o exame não invasivo selecionado pela questão para localizar e caracterizar a obstrução.

D) Incorreta. A paciente não apresenta colangite. A CPRE é predominantemente terapêutica e torna-se urgente diante de colangite ou obstrução que exija drenagem. Pelos critérios atuais de alto risco para coledocolitíase, ela pode ser indicada diretamente em alguns protocolos, mas não pelo diagnóstico sindrômico descrito na alternativa.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é equiparar obstrução a infecção. Colestase mais dilatação não bastam para colangite se não houver inflamação sistêmica.

  • Colangiorressonância e ecoendoscopia confirmam cálculos sem instrumentar a papila; CPRE permite extração e drenagem.

  • Bilirrubina acima de 4 mg/dL com colédoco dilatado é critério atual de alto risco e pode levar diretamente à CPRE, embora a questão tenha mantido a investigação por ressonância.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Colelitíase, colecistite e colangite” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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