Mulher de 35 anos, diabética, com laqueadura tubária bilateral, procurou atendimento médico com queixa de prurido genital e disúria terminal, com 7 dias de evolução. Recentemente, fez uso de antibiótico para tratamento de abscesso dental. Ao exame especular, notava-se edema vulvar, hiperemia, fissura, corrimento esbranquiçado e teste das aminas negativo.
A pegadinha é interpretar disúria como cistite. Na candidíase, ela costuma ser disúria externa associada a vulvite.
Prurido intenso, edema, fissuras, corrimento branco, pH normal e teste das aminas negativo apontam para Candida.
Diabetes, imunossupressão, recorrência ou quadro grave favorecem esquemas azólicos mais prolongados.
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Contexto
Prurido vulvar intenso, edema, hiperemia, fissuras, corrimento branco e teste das aminas negativo compõem o quadro de candidíase vulvovaginal. A disúria pode ser externa, causada pelo contato da urina com a mucosa inflamada, e não representa necessariamente infecção urinária. O pH vaginal costuma permanecer normal, geralmente abaixo de 4,5.
Antibioticoterapia recente reduz a microbiota bacteriana protetora, e diabetes favorece proliferação de Candida. A presença de fissuras e edema sugere quadro intenso; diabetes também é fator de candidíase complicada. Segundo o CDC STI Treatment Guidelines de 2021, casos graves ou em hospedeiras com condições predisponentes devem receber azol tópico por 7 a 14 dias, em vez de esquemas muito curtos.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Miconazol intravaginal por 7 noites é um esquema azólico de duração adequada para o quadro clínico, cobrindo a candidíase com inflamação vulvar importante.
B) Incorreta. Cefalexina não tem atividade antifúngica e pode intensificar a disbiose vaginal. Seria útil para determinadas infecções bacterianas sensíveis, não para candidíase.
C) Incorreta. Azitromicina é empregada em algumas infecções bacterianas, como clamídia em esquemas específicos, mas não atua contra Candida. A dose e a duração propostas também não correspondem ao manejo desta síndrome.
D) Incorreta. Metronidazol trata vaginose bacteriana e tricomoníase. Na vaginose, predominam odor, pH elevado e teste das aminas positivo, sem inflamação vulvar tão exuberante.