Criança de 9 anos chega à Unidade Básica de Saúde (UBS) com o diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade há 2 anos. Faz uso de metilfenidato há pelo menos 1 ano. O pai informa que, desde o início do uso, apresentou grande melhora na escola e solicita que o uso seja estendido por mais tempo.
A pegadinha é procurar exames laboratoriais anuais. No uso de metilfenidato, o monitoramento de rotina é clínico, antropométrico e cardiovascular.
Avalie também apetite, sono, tiques, humor, adesão e funcionamento em casa e na escola.
Resposta sustentada não elimina a revisão anual da indicação; manutenção prolongada é possível quando o benefício permanece superior aos riscos.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
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Contexto
O metilfenidato é estimulante do sistema nervoso central e pode causar redução do apetite, menor velocidade de ganho ponderal, insônia, cefaleia, aumento discreto da frequência cardíaca e da pressão arterial. O monitoramento é predominantemente clínico e funcional: benefício sobre sintomas e desempenho, adesão, efeitos adversos, crescimento, sono e segurança cardiovascular.
Segundo o NICE NG87, publicado em 2018 e atualizado em 2019, crianças e adolescentes devem ter estatura medida a cada 6 meses; o peso deve ser acompanhado com maior frequência nas crianças menores e, depois, ao menos semestralmente. Frequência cardíaca e pressão arterial devem ser verificadas antes e depois de mudanças de dose e a cada 6 meses. O tratamento deve ser revisto pelo menos anualmente, discutindo necessidade de continuidade, redução, pausa ou retirada quando o balanço entre benefícios e riscos permitir. Isso não significa suspensão obrigatória ao completar 1 ano.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Seguimento especializado pode ser necessário em casos complexos, mas o efeito típico é redução do apetite e do ganho de peso, não aumento ponderal. Dislipidemia não é o evento adverso central que determina o acompanhamento rotineiro.
B) Incorreta. A efetividade deve ser avaliada por sintomas e funcionamento em diferentes ambientes, com informações da família e da escola. Testes psicodinâmicos não são o método de rotina para monitorar resposta ao estimulante.
C) Incorreta. Hemograma e hormônios tireoidianos não são solicitados periodicamente sem indicação clínica. Antipsicótico não deve ser prescrito para neutralizar efeitos adversos do metilfenidato; diante de intolerância, revisam-se dose, horário, formulação ou medicamento.
D) Correta (gabarito). Peso, estatura e pressão arterial integram o núcleo do seguimento. A nova avaliação após cerca de 1 ano deve ser entendida como revisão formal da necessidade do fármaco e da possibilidade de retirada, não como interrupção automática.