Saúde mental na atenção primária

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Questão 35
ENAMED · 2026

Mulher de 52 anos chega ao acolhimento de Unidade Básica de Saúde (UBS), muito chorosa, e relata: “Estou com dificuldade para dormir, não tenho comido direito, desde o ocorrido ... éomeufilho,sabe...elemorreuhá3dias...eadornomeu coração está muito forte, quase insuportável”. A paciente chora copiosamente e diz que sonha com uma pessoa gritando o nome de seu filho, relembrando o momento em que o tinha encontrado na rua, vítima de atropelamento. Após o primeiro acolhimento, ela fica um pouco mais calma, relatando que não pensa em se matar, que nunca tinha sido atendida por psiquiatra ou tomado medicamentos antes, mas que nesse momento precisa de muita ajuda.

Diante do caso, qual a conduta adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Três dias após a morte traumática do filho, choro intenso, insônia, redução do apetite, sonhos e recordações intrusivas podem integrar uma reação aguda de luto. O luto não é doença por si só e não deve ser medicalizado automaticamente. Transtorno depressivo maior exige pelo menos duas semanas de sintomas persistentes com critérios próprios; transtorno de luto prolongado, no DSM-5-TR, exige sofrimento persistente por pelo menos 12 meses no adulto. A exposição traumática também exige vigilância para transtorno de estresse agudo, mas o enunciado não descreve o conjunto de sintomas necessário para esse diagnóstico.

A conduta inicial na atenção primária é acolher, validar a experiência sem impor etapas fixas, verificar ideação suicida, psicose, uso de substâncias, capacidade de autocuidado e disponibilidade de rede de apoio. Deve-se oferecer contato próximo e seguimento longitudinal. Antidepressivos não aliviam imediatamente o luto e são reservados para transtornos comórbidos diagnosticados, como depressão maior, não para tristeza esperada nos primeiros dias.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Não há duração ou critérios suficientes para transtorno depressivo ou ansioso que justifiquem iniciar inibidor seletivo de recaptação de serotonina. Além disso, esses fármacos demoram semanas para produzir efeito.

B) Incorreta. CAPS intensivo é indicado diante de crise grave, risco elevado, psicose, desorganização importante ou necessidade de cuidado especializado contínuo. A paciente nega ideação suicida e acalma-se com acolhimento.

C) Incorreta. Encaminhamento imediato para uma técnica psicoterápica específica não é obrigatório. Apoio psicológico pode ser ofertado conforme necessidade e preferência, mas a UBS deve manter a coordenação do cuidado.

D) Correta (gabarito). Acolhimento, apoio pela equipe, mobilização da rede social e reavaliação próxima respeitam o caráter agudo do luto e permitem detectar precocemente risco suicida, depressão, estresse pós-traumático ou perda funcional persistente.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é transformar sofrimento esperado em diagnóstico psiquiátrico imediato: luto agudo pede acolhimento e seguimento.

  • Mesmo no luto aparentemente esperado, sempre avalie suicídio, psicose, autocuidado e rede de apoio.

  • O luto não impede diagnóstico de depressão maior quando os critérios são preenchidos, mas três dias não satisfazem a duração mínima.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Saúde mental na atenção primária” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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