No pronto atendimento, um paciente foi admitido com queimaduras extensas de grau 2 em regiões de face e pescoço, provocadas por água fervendo.
Pegadinha central: em face e pescoço, pense na via aérea antes de pensar no curativo.
Parkland clássico: 4 mL/kg/%, metade até oito horas após o acidente.
Diretriz atual reduz volume inicial em muitos adultos e ajusta pela resposta, evitando ressuscitação excessiva.
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Contexto
Queimadura extensa de face e pescoço exige abordagem do trauma com prioridade para via aérea. Edema pode progredir nas primeiras horas e tornar a intubação tardia difícil. Rouquidão, estridor, fuligem, queimadura em ambiente fechado, alteração de consciência e esforço respiratório reforçam necessidade de intubação precoce. Escaldadura por água quente, isoladamente, tem menor probabilidade de lesão inalatória que incêndio com fumaça, mas a topografia ainda exige avaliação cuidadosa.
A fórmula de Parkland histórica calcula 4 mL de cristaloide por kg por percentual de superfície corporal queimada, com metade nas primeiras oito horas contadas desde a queimadura e metade nas 16 horas seguintes. Diretrizes recentes da American Burn Association favorecem iniciar adultos com 2 mL/kg/% em queimaduras extensas para reduzir sobrecarga, titulando pela diurese e perfusão. Assim, a dose fixa de 4 mL representa o ensino clássico da prova, não uma meta inflexível atual.
A sulfadiazina de prata também perdeu espaço em queimaduras superficiais por retardar epitelização e deve ser evitada perto dos olhos. Coberturas modernas ou antimicrobianos tópicos apropriados à face costumam ser preferidos. Mantém-se o gabarito porque é a única opção que prioriza via aérea e apresenta corretamente a fórmula clássica de Parkland.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Avaliar superfície e analgesia é correto, mas óleo de girassol não é cobertura inicial padronizada para queimadura extensa, e a alternativa omite a via aérea.
B) Incorreta. Não se deve esperar uma hora para iniciar avaliação primária, estimativa da extensão e ressuscitação quando indicada. Gaze seca aderente também pode aumentar dor e lesão.
C) Incorreta. A fórmula de Parkland clássica utiliza 4 mL/kg/% e não 1,5 mL/kg/%. A alternativa também não explicita prioridade respiratória.
D) Incorreta. A fórmula de Brooke modificada tradicionalmente usa volume menor que Parkland, não 4 mL/kg/%. Neomicina tópica apresenta risco de dermatite e não é cobertura de escolha universal.
E) Correta (gabarito). É a única alternativa que prioriza possível lesão de via aérea, analgesia e ressuscitação pela fórmula clássica. Na prática atual, o volume deve ser titulado e a sulfadiazina não é a melhor opção para a face.