Método clínico centrado na pessoa

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Questão 89
ENARE · 2022

É uma sexta-feira, véspera de carnaval, e Júnia traz seu filho, Tomás, de 6 anos, ao pronto atendimento devido a quadro de dor de garganta iniciada há 1 dia. A criança apresenta-se afebril, sem linfonodos palpáveis, sem exsudato em amígdalas e presença de tosse. Pela avaliação dos critérios de Centor, o médico assistente avalia que se trata de uma faringite viral e orienta Júnia a tratar Tomás com sintomáticos e levá-lo à Unidade Básica de Saúde em caso de ausência de melhora em 3 dias. Júnia insiste na prescrição de antibiótico, lembrando que, na última vez que Tomás teve o mesmo sintoma, a melhora só ocorreu após início do uso de amoxicilina.

Nessa situação, o médico assistente
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A criança apresenta tosse, ausência de febre, ausência de exsudato e ausência de linfonodos cervicais dolorosos, produzindo baixa probabilidade de faringite estreptocócica. Sintomas virais claros favorecem tratamento sintomático e não exigem antibiótico. Autonomia familiar não transforma uma prescrição sem indicação em obrigação médica.

A alternativa oficial utiliza a estratégia de prescrição postergada: receita fornecida com orientação de só iniciar se não houver melhora, se ocorrer piora ou se critérios pactuados forem atingidos. Essa estratégia pode reduzir consumo em infecções respiratórias quando existe incerteza e dificuldade de reavaliação. Contudo, no caso descrito, com escore muito baixo e quadro tipicamente viral, recomendações atuais de stewardship geralmente favorecem não prescrever antibiótico. Mantém-se o gabarito como exercício de decisão compartilhada, não como autorização para uso imediato.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Autonomia permite aceitar ou recusar opções tecnicamente razoáveis, mas não obriga o médico a oferecer tratamento sem benefício esperado.

B) Incorreta. Feriado e dificuldade de retorno não tornam amoxicilina necessária. Devem ser oferecidas orientações de alarme e alternativas de acesso.

C) Correta (gabarito). Pode-se discutir prescrição postergada com critérios claros de início, prazo e reavaliação, respeitando valores familiares sem indicar uso imediato. No quadro viral inequívoco, a opção mais alinhada às diretrizes atuais continua sendo não utilizar antibiótico.

D) Incorreta pela formulação absoluta. A hipótese viral é muito provável, mas não é comprovada apenas pelo Centor. A alternativa também ignora a possibilidade excepcional de estratégia postergada pactuada.

E) Incorreta. A decisão não deve ser autoritária. O médico mantém responsabilidade técnica e deve ouvir, explicar benefício, dano e incerteza.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: decisão compartilhada não significa atender pedido por antibiótico sem critério.

  • Prescrição postergada é uma receita de contingência, não recomendação para começar imediatamente.

  • Tosse e ausência de febre, exsudato e adenopatia tornam estreptococo pouco provável.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Método clínico centrado na pessoa” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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