Carla, residente de pediatria, recebe um folder de um representante de laboratório em que consta a informação de que um novo polivitamínico desse laboratório reduziu em 31% o risco de anemia, comparado ao uso do sulfato ferroso, para lactentes entre 6 e 24 meses de vida. Intrigada com um resultado tão expressivo, ela decide analisar melhor o estudo. Trata-se de um ensaio clínico randomizado duplo-cego, aparentemente bem conduzido e sem vieses importantes, exceto por seu financiamento da indústria e consequente conflito de interesse. Ao chegar na seção de resultados do artigo, Carla se depara com a seguinte tabela:
Pegadinha central: redução relativa grande pode esconder benefício absoluto mínimo.
Evento raro aproxima OR do RR.
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Contexto
No grupo do polivitamínico, o risco de anemia foi 4 dividido por 195, igual a 2,05%. No grupo sulfato ferroso, foi 6 dividido por 202, igual a 2,97%. A redução absoluta foi 0,92 ponto percentual; o risco relativo foi aproximadamente 0,691; a redução relativa foi 30,9%; e o número necessário para tratar foi aproximadamente 109.
Como o evento é raro, odds ratio e risco relativo ficam muito próximos: a diferença absoluta entre 0,691 e 0,684 é cerca de 0,007, inferior a 0,01. O anúncio de redução de 31% usa efeito relativo e oculta o pequeno benefício absoluto e a imprecisão provável decorrente de apenas dez eventos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A redução absoluta foi 0,92 ponto percentual. Cerca de 31% corresponde à redução relativa.
B) Correta (gabarito). RR de aproximadamente 0,691 e OR de 0,684 diferem por menos de 1%, como esperado em desfecho raro.
C) Incorreta. 2,97% é o risco de anemia no grupo controle. A chance, ou odds, foi 6 dividido por 196, aproximadamente 3,06%.
D) Incorreta. A redução relativa é uma proporção entre zero e um, aproximadamente 0,309, e não maior que um.
E) Incorreta. Com redução absoluta de 0,0092, o NNT é cerca de 109, portanto superior a 50.