Primigesta de 36 semanas refere sangramento vaginal em moderada quantidade, com alguns coágulos, associado à dor em cólica contínua e hiperidrose, há 30 minutos. Ao exame físico, a pressão arterial é de 132 × 84 mmHg, taquicardia, altura uterina de 30 cm, com sinais de tetania uterina, BCF = 118 bpm. Ao toque vaginal, o colo é pérvio para 2 cm e observa-se sangue escurecido com coágulos no canal vaginal.
Pegadinha central: no DPP, pouco sangue exteriorizado não significa pouca hemorragia.
Dor, hipertonia e sangue escuro apontam para DPP; sangue vivo indolor aponta para placenta prévia.
A via de parto depende de estabilidade, vitalidade fetal e rapidez esperada do parto vaginal, justificando a anulação.
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Contexto
Sangramento vaginal escurecido com coágulos, dor contínua e útero hipertônico ou em tetania no terceiro trimestre formam o quadro clássico de descolamento prematuro de placenta. O volume exteriorizado pode subestimar a hemorragia, porque parte do sangue permanece retroplacentário. A avaliação inicial deve incluir estabilização materna, dois acessos venosos, hemograma, coagulograma, fibrinogênio, tipagem e reserva de sangue, além de monitorização fetal contínua.
A questão foi anulada porque a conduta obstétrica depende de informações não resolvidas pelas alternativas. Com feto vivo e sofrimento fetal, hemorragia importante ou instabilidade materna, indica-se resolução imediata, frequentemente por cesárea se o parto vaginal não for iminente. Se mãe e feto estiverem estáveis, o trabalho de parto estiver avançado e o parto vaginal for rápido e seguro, amniotomia e ocitocina podem ser utilizadas. Aos 36 semanas, não se deve prolongar a gestação com tocólise.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Tocólise é inadequada diante de suspeita de descolamento placentário com sangramento e hipertonia. Corticoide não deve atrasar resolução indicada por risco materno ou fetal.
B) Incompleta. Apenas observar a evolução pode atrasar tratamento de hemorragia oculta, coagulopatia ou deterioração fetal. Monitorização é necessária, mas não constitui toda a conduta.
C) Possível em cenário selecionado. Amniotomia e condução vaginal são apropriadas quando mãe e feto estão estáveis e há perspectiva de parto rápido, mas o enunciado não garante essas condições.
D) Possível em outro cenário. Cesárea é indicada quando existe sofrimento fetal, instabilidade ou impossibilidade de parto vaginal oportuno. Frequência fetal de 118 bpm isoladamente não demonstra sofrimento suficiente para torná-la obrigatória.
E) Incorreta. Profilaxia de sepse neonatal não é o eixo do tratamento, e ocitocina só pode ser escolhida após avaliação da estabilidade e da via de parto.