Um paciente em tratamento oncológico quimioterápico, que terá programação de tratamento cirúrgico em breve, apresenta astenia importante, porém nega vômitos ou sangramentos. Foram realizados exames laboratoriais.
Pegadinha central: no estável sem sangramento, decore hemoglobina menor que 7 e plaquetas menores que 10.000.
Cirurgia de grande porte geralmente exige plaquetas acima de 50.000.
Transfusão nunca depende apenas de número; sintomas, sangramento e procedimento mudam o limiar.
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Contexto
Em adultos hospitalizados e hemodinamicamente estáveis, a diretriz internacional AABB de 2023 recomenda estratégia restritiva para hemácias, considerando transfusão quando a hemoglobina está abaixo de 7 g/dL, com ajuste por sintomas, doença cardiovascular, sangramento e contexto perioperatório.
Para plaquetas em paciente com hipoproliferação medular por quimioterapia, transfusão profilática é recomendada abaixo de 10.000 por mm³ na ausência de sangramento. Febre, sepse, sangramento, coagulopatia ou procedimento invasivo elevam o limiar. Para cirurgia de grande porte, costuma-se buscar pelo menos 50.000 por mm³, mas o enunciado fala em programação futura e pergunta pelos limiares profiláticos simultâneos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Hemoglobina de 9,1 g/dL não indica transfusão restritiva, e plaquetas de 21.000 por mm³ sem sangramento ficam acima do limiar profilático de 10.000.
B) Incorreta. Hemoglobina de 6,2 g/dL indica hemácias, mas 18.000 plaquetas por mm³ não indica profilaxia automática no paciente estável e afebril sem sangramento. Poderia haver indicação se a cirurgia fosse iminente ou existissem fatores adicionais.
C) Correta (gabarito). Hemoglobina de 6,8 g/dL e plaquetas de 7.000 por mm³ cruzam simultaneamente os limiares restritivos clássicos para transfusão de ambos os componentes.
D) Incorreta. Plaquetas próximas do limiar podem exigir decisão clínica, mas hemoglobina de 10,1 g/dL não sustenta transfusão de hemácias.
E) Incorreta. Hemoglobina de 7,5 g/dL e plaquetas de 11.000 por mm³ estão acima dos cortes profiláticos clássicos. Sintomas, febre ou procedimento poderiam modificar a decisão.