Um paciente de 75 anos, sem comorbidades, lúcido e orientado, calmo, acompanhado por duas filhas, comparece em consulta médica com resultado de biópsia de próstata – adenocarcinoma Gleason 10 (5+5). As filhas solicitam, no início do atendimento, que não seja informado o diagnóstico ao paciente. Durante a consulta, o paciente questiona o médico sobre sua real patologia.
Pegadinha central: a família não é dona do diagnóstico de um paciente capaz.
Autonomia exige verdade, compreensão e oportunidade de decidir.
Comunicar com sensibilidade não significa ocultar ou mentir.
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Contexto
O Código de Ética Médica assegura ao paciente o direito de receber informações sobre diagnóstico, prognóstico, riscos e objetivos do tratamento, salvo quando a comunicação direta puder causar dano relevante, situação em que se informa representante legal. Um adulto lúcido, orientado e que pergunta expressamente pelo diagnóstico deve ser considerado protagonista da informação.
O pedido familiar para ocultar o câncer constitui uma conspiração do silêncio e não supera a autonomia do paciente. O médico deve explorar o medo das filhas, combinar uma forma sensível de comunicação e revelar a verdade progressivamente, avaliando quanto o paciente deseja saber. Informações podem ser compartilhadas com familiares com autorização do próprio paciente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Dizer apenas que existe uma alteração omite informação essencial solicitada pelo paciente e impede consentimento verdadeiramente informado.
B) Correta (gabarito). O médico deve orientar as filhas e comunicar o adenocarcinoma ao paciente de modo claro e acolhedor, pois ele possui capacidade e manifesta desejo de conhecer a própria condição.
C) Incorreta. O sigilo protege dados do paciente contra terceiros; não autoriza familiares a esconderem do próprio paciente seu diagnóstico.
D) Incorreta. Retirar o paciente e informar somente as filhas inverte a titularidade da informação e viola autonomia e confidencialidade.
E) Incorreta. Informar que se trata de neoplasia benigna é falso e constitui engano deliberado, ainda mais grave em Gleason 10, tumor de altíssimo grau.