Um paciente que será submetido a uma cirurgia teve indicação de anestesia raquidiana pela equipe de anestesia.
Pegadinha central: raqui evita via aérea, mas não evita hipotensão, bradicardia nem cefaleia.
Coagulopatia e anticoagulação fora da janela segura contraindicam punção neuraxial.
Cefaleia pós-punção piora em ortostatismo e melhora ao deitar.
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Contexto
Raquianestesia consiste na injeção de anestésico local no espaço subaracnoideo, produzindo bloqueio sensitivo, motor e simpático abaixo do nível alcançado. Em procedimentos adequados, permite que o paciente respire espontaneamente e evita manipulação rotineira da via aérea, reduzindo riscos associados à laringoscopia e à intubação.
Isso não significa ausência de complicações. Bloqueio simpático pode causar hipotensão e bradicardia; punção da dura pode causar cefaleia pós-punção; retenção urinária, náusea, bloqueio alto e complicações neurológicas ou infecciosas são menos comuns. Coagulopatia clinicamente relevante e anticoagulação sem intervalo seguro contraindicam o bloqueio pelo risco de hematoma neuraxial.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Quando a cirurgia permite, a raquianestesia é alternativa à anestesia geral e pode evitar intubação orotraqueal e suas complicações, embora conversão para anestesia geral continue possível.
B) Incorreta. Despertar prolongado é associado principalmente à anestesia geral e aos sedativos. Na raquianestesia sem sedação profunda, o paciente pode permanecer acordado e a recuperação cognitiva tende a ser rápida.
C) Incorreta. Bradicardia e cefaleia pós-punção são complicações reconhecidas, não efeitos evitados pela técnica.
D) Incorreta. Cardiopatia exige avaliação individual porque a redução abrupta da resistência vascular pode ser mal tolerada em algumas lesões. Coagulopatia é contraindicação importante, não vantagem da técnica.
E) Incorreta. A cefaleia pós-punção é mais comum em jovens, mulheres, gestantes e após agulhas calibrosas ou cortantes. Idosos do sexo masculino apresentam risco menor.