Um homem de 24 anos procura atendimento médico com queixa de falta de ar e boca seca. Sua glicemia capilar é aferida, 467mg/dL. Nega doenças prévias ou uso de medicações.
Pegadinha central: insulina baixa o potássio sérico, embora o paciente possa chegar com potássio elevado e estoque corporal depletado.
Cetoacidose gera acidose metabólica; a respiração de Kussmaul é compensação.
GADA sugere autoimunidade, mas LADA é uma apresentação lenta do diabetes autoimune do adulto, não sinônimo de qualquer diabetes tipo 1 em adulto.
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Contexto
Glicemia de 467 mg/dL com dispneia e desidratação exige investigação imediata de crise hiperglicêmica, com eletrólitos, cetonas, pH venoso, bicarbonato, ânion gap e osmolaridade. Na cetoacidose diabética, o distúrbio primário é acidose metabólica com ânion gap elevado, e a hiperventilação é compensatória. Mesmo quando o potássio sérico está normal ou elevado, o estoque corporal costuma estar reduzido por diurese osmótica.
Os Standards of Care in Diabetes 2026 da American Diabetes Association incluem GADA, anti-IA2, anti-ZnT8 e outros autoanticorpos entre os marcadores de diabetes autoimune. O GADA é especialmente útil no adulto com fenótipo aparentemente compatível com diabetes tipo 2, mas evolução para insulinopenia, identificando a forma autoimune de progressão lenta tradicionalmente chamada LADA. Um jovem de 24 anos com descompensação abrupta também pode ter diabetes tipo 1 clássico, portanto o rótulo LADA depende do padrão clínico, não apenas do anticorpo.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A cetoacidose produz acidose metabólica. A redução da PaCO2 ocorre por hiperventilação compensatória e não constitui acidose respiratória.
B) Incorreta. A insulina ativa a bomba de sódio e potássio e desloca potássio para o meio intracelular, reduzindo a concentração sérica. Por isso, o potássio deve ser conhecido e corrigido antes ou durante a insulinoterapia.
C) Incorreta. A hiperglicemia causa diurese osmótica e déficit de volume. A reposição de cristaloide é parte inicial do tratamento, ajustada ao estado hemodinâmico, sódio e comorbidades.
D) Incorreta. A hemoglobina glicada ajuda a demonstrar a cronicidade da hiperglicemia, mas não determina a conduta aguda. A estabilização depende de volume, potássio, cetose, pH, bicarbonato e osmolaridade.
E) Correta (gabarito). O GADA é o autoanticorpo mais frequentemente identificado no diabetes autoimune de início adulto e apoia o diagnóstico de LADA quando interpretado com idade, reserva de peptídeo C e evolução clínica.