A pegadinha é confundir colelitíase com coledocolitíase.
CPRE trata ducto biliar ou pancreático, não cálculo limitado à vesícula.
Pancreatite biliar isolada não exige CPRE urgente; colangite ou obstrução persistente mudam a conduta.
Hoje, colangiorressonância e ecoendoscopia ocupam o espaço diagnóstico para evitar CPRE desnecessária.
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Contexto
A CPRE passou de exame principalmente diagnóstico para procedimento predominantemente terapêutico. Ela permite esfinterotomia, extração de cálculo, drenagem, dilatação de estenose e colocação de prótese na via biliar ou pancreática. Como envolve risco de pancreatite, sangramento, perfuração e infecção, a investigação diagnóstica isolada costuma ser feita por ultrassonografia, colangiorressonância ou ecoendoscopia.
As indicações clássicas são obstrução ou infecção da via biliar principal: coledocolitíase confirmada ou de alta probabilidade, colangite que necessita drenagem, estenose distal com dilatação a montante e pancreatite biliar com colangite ou evidência de obstrução persistente, como cálculo impactado. Colelitíase isolada fica na vesícula e é tratada, quando indicada, por colecistectomia, não por CPRE.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Como o comando pede a situação que não indica CPRE, coledocolitíase não pode ser escolhida. Cálculo no colédoco é uma indicação terapêutica clássica para esfinterotomia e extração.
B) Incorreta. Colangite com obstrução exige antibiótico, suporte e drenagem biliar, frequentemente por CPRE, sobretudo nos casos moderados ou graves e quando não há resolução clínica adequada.
C) Incorreta. Estenose distal com dilatação proximal sugere obstrução da via biliar. A CPRE pode drenar, coletar material e inserir prótese, conforme etiologia e estratégia diagnóstica.
D) Incorreta. CPRE não é rotina em toda pancreatite biliar, mas está indicada quando há colangite ou obstrução persistente por cálculo impactado. O detalhe do cálculo na via biliar torna a alternativa uma indicação.
E) Correta (gabarito). Colelitíase significa cálculos restritos à vesícula, sem obstrução do colédoco. A CPRE não trata a vesícula e acrescentaria risco sem benefício; o tratamento definitivo, quando indicado, é colecistectomia.