Mulher de 24 anos refere atraso menstrual há 8 semanas e, nos últimos dias, vem apresentando sangramento intermitente. Ao exame ginecológico, apresenta pequena quantidade de sangue coletada em região de fundo de saco vaginal, ausência de sangramento ativo e colo uterino fechado. Dosagem de beta-Hcg evidenciou 40000 UI. O ultrassom demonstrou múltiplas vesículas, e o laudo veio como gestação molar completa.
Pegadinha central: mola é aspirada, não induzida com misoprostol.
Na mola completa, hCG mensal por seis meses após normalização é o seguimento clássico da FIGO.
Platô ou elevação do hCG após esvaziamento define suspeita de neoplasia trofoblástica.
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Contexto
Mola completa resulta geralmente da fecundação de um óvulo sem material genético materno, produzindo proliferação trofoblástica difusa, vesículas hidrópicas, ausência de embrião e hCG frequentemente muito elevado. Uma vez estabelecido o diagnóstico, a conduta não é expectante.
A atualização FIGO de 2021 recomenda esvaziamento por aspiração uterina, idealmente guiado por ultrassom, com material enviado à anatomia patológica. Misoprostol isolado ou curetagem cortante aumenta risco de sangramento, esvaziamento incompleto e perfuração. Após o procedimento, o hCG é acompanhado a cada uma ou duas semanas até normalizar e, na mola completa, mensalmente por seis meses após a normalização para detectar neoplasia trofoblástica gestacional.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ultrassom com vesículas e laudo de mola completa exige tratamento. Aguardar sete dias prolonga risco de hemorragia, hipertireoidismo e progressão.
B) Incorreta. Radiografia de tórax pode integrar a avaliação basal em protocolos de referência, mas não substitui o esvaziamento uterino imediato.
C) Incorreta. Indução com misoprostol não é preferida porque aumenta contrações, sangramento e passagem de tecido trofoblástico para a circulação.
D) Correta (gabarito). Aspiração intrauterina é o método de escolha para preservar fertilidade, seguida de dosagem seriada de beta-hCG para identificar doença pós-molar persistente.
E) Incorreta. Dilatação com curetagem cortante isolada é menos segura e menos eficaz que aspiração, embora cureta suave possa ser usada ao final para verificar resíduos.