Levado por um vizinho, um paciente de 68 anos, previamente lúcido, foi admitido em um hospital com rebaixamento do nível de consciência. Durante a investigação, foi sugerido provável diagnóstico de sepse grave de foco abdominal devido a uma diverticulite aguda perfurada. O paciente permaneceu torporoso e, após a equipe tentar entrar em contato com a família, sem sucesso, o paciente foi encaminhado à cirurgia. O médico cirurgião indicou uma retossigmoidectomia à Hartmann – com colostomia terminal.
A pegadinha é acreditar que toda cirurgia exige esperar a família, mesmo com risco iminente.
Emergência, incapacidade e representante indisponível autorizam o tratamento necessário, com registro detalhado.
A decisão deve seguir benefício clínico, não conveniência social ou medo de futura discordância.
Hartmann é opção clássica no paciente instável com perfuração e contaminação importante.
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Contexto
Consentimento informado é a regra para procedimentos, mas pressupõe capacidade decisória e tempo clínico para deliberar. Neste caso, o paciente está torporoso, incapaz de decidir, apresenta sepse abdominal por diverticulite perfurada e corre risco imediato de morte. A equipe tentou localizar a família sem sucesso. O Código de Ética Médica vigente admite intervenção sem consentimento quando a demora expõe o paciente a risco iminente, devendo o médico agir no melhor interesse e registrar a justificativa.
A operação de Hartmann, com ressecção do segmento perfurado, fechamento do coto retal e colostomia terminal, pode ser a estratégia mais segura em paciente instável, com peritonite e alto risco de falha de anastomose. O estoma integra a decisão técnica salvadora; não é procedimento opcional a ser adiado até que alguém sem capacidade clínica escolha. A família ou representante deve ser informada assim que localizada, e todo o processo de tentativa de contato, incapacidade e urgência deve constar no prontuário.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Diante de emergência, incapacidade e ausência de representante disponível, deve-se realizar a intervenção necessária, inclusive colostomia, para controlar o foco séptico e reduzir risco de morte.
B) Incorreta. Aguardar familiares prolongaria a sepse e violaria o dever de evitar dano grave. O consentimento por representação não pode transformar uma emergência tratável em atraso potencialmente fatal.
C) Incorreta. Suprimir o estoma por receio de recusa futura abandona a melhor estratégia técnica. Em paciente instável e contaminado, anastomose primária pode aumentar risco de deiscência e mortalidade.
D) Incorreta. Um vizinho acompanhante não se torna automaticamente representante legal ou procurador para decisões invasivas. Ele pode fornecer história e contato, mas não substitui o julgamento médico em emergência.
E) Incorreta. Lavagem e drenagem isoladas podem ser insuficientes para controlar perfuração colônica e tecido doente. A ausência da família não justifica tratamento deliberadamente incompleto.