Uma mulher de 53 anos vem ao ambulatório de uroginecologia referindo perda urinária. Possui histórico de 5 partos via vaginal e apresenta menopausa há 7 anos, sem terapia de reposição hormonal. No exame físico ginecológico, apresenta prolapso de parede anterior grau 1, sem perda urinária à valsalva. Apresenta resultado de estudo urodinâmico que revelou a presença de contrações não inibidas do músculo detrusor como único achado.
Pegadinha central: hiperatividade detrusora pede tratamento da bexiga, não cirurgia de prolapso leve.
Primeira linha: treinamento vesical, medidas comportamentais e fisioterapia.
Em mulheres mais velhas, avalie carga anticolinérgica e considere agonista beta-3 quando apropriado.
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Contexto
Contrações involuntárias do detrusor no estudo urodinâmico caracterizam hiperatividade detrusora e sustentam o diagnóstico de bexiga hiperativa quando associadas a urgência, aumento da frequência e possível incontinência de urgência. O prolapso anterior grau 1 é discreto e, sem sintomas de esvaziamento ou incontinência de esforço, não explica a queixa principal.
A Diretriz AUA/SUFU de Bexiga Hiperativa de 2024 recomenda iniciar por medidas não invasivas: treinamento vesical, micções programadas, redução de cafeína, ajuste da ingestão hídrica, controle de constipação, perda de peso quando indicada e fisioterapia do assoalho pélvico. Medicamentos antimuscarínicos ou agonistas beta-3 podem ser oferecidos conforme sintomas, contraindicações e preferência.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cirurgia de prolapso não trata diretamente hiperatividade detrusora e não se justifica para prolapso grau 1 assintomático.
B) Incorreta. Estrogênio sistêmico oral não é tratamento inicial da bexiga hiperativa e pode aumentar riscos tromboembólicos e cardiovasculares. Estrogênio vaginal pode ajudar sintomas geniturinários da menopausa em pacientes selecionadas.
C) Incorreta. Colpossacrofixação corrige prolapso apical significativo, inexistente no caso, e não é terapia primária para urgência urinária.
D) Correta (gabarito). Tratamento comportamental é a primeira abordagem e pode ser associado a anticolinérgicos quando o benefício esperado supera efeitos como boca seca, constipação, retenção e impacto cognitivo.
E) Incorreta. Tela vaginal não é indicada para prolapso anterior discreto e não corrige o mecanismo da contração detrusora não inibida.