Uma criança de 1 ano é levada para avaliação, por ter apresentado cianose, que ocorreu após período de choro prolongado, sem perda de consciência e com resolução espontânea. Após avaliação neurológica detalhada, o quadro é definido como perda de fôlego cianótica.
Pegadinha central: perda de fôlego pode parecer convulsão, mas é evento reflexo benigno.
Cianótica vem após raiva ou choro; pálida costuma vir após dor ou susto.
Em recorrências, procure deficiência de ferro.
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Contexto
Crises de perda de fôlego são eventos não epilépticos típicos entre 6 meses e 6 anos. Na forma cianótica, frustração, dor ou choro intenso levam à expiração prolongada, apneia, cianose e, às vezes, perda breve do tônus ou da consciência. O episódio dura segundos, resolve espontaneamente e a criança retorna rapidamente ao estado basal.
O diagnóstico é clínico quando a sequência é típica e o desenvolvimento é normal. Deve-se investigar anemia ferropriva, porque reposição de ferro pode reduzir recorrências. Eletrocardiograma e avaliação adicional ficam para eventos atípicos, forma pálida, história familiar de morte súbita, ausência de gatilho ou recuperação prolongada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Perda de fôlego não é epilepsia e anticonvulsivantes não previnem os episódios. Movimentos breves por hipóxia podem ocorrer sem significar crise epiléptica.
B) Incorreta. A condição não implica alta probabilidade de epilepsia futura. O foco é ensinar os pais a reconhecer a sequência e evitar manobras perigosas.
C) Incorreta. A maioria das crianças tem desenvolvimento neurológico normal. Encaminhamento multidisciplinar só é necessário quando há atraso ou sinais não explicados pela perda de fôlego.
D) Correta (gabarito). O episódio cianótico típico, desencadeado por choro, sem perda de consciência e com resolução espontânea é benigno e autolimitado. A principal conduta é tranquilizar e orientar a família.
E) Incorreta. A forma típica não aumenta o risco de parada cardiorrespiratória. Eventos prolongados, sem gatilho ou com recuperação anormal exigem reavaliação diagnóstica.