Um paciente foi submetido a uma cirurgia abdominal, e o anestesista introduziu um cateter peridural para analgesia. O paciente se encontra na UTI utilizando heparina de baixo peso molecular como anticoagulação profilática, e a enfermeira questiona o médico plantonista se pode retirar o cateter.
A pegadinha é tratar a retirada do cateter como ato simples; ela também pode provocar sangramento neuraxial.
HBPM profilática costuma exigir 12 horas antes da retirada e 4 horas até a próxima dose, quando aplicável.
Dose terapêutica, insuficiência renal, idade avançada e outros antitrombóticos aumentam a cautela.
Déficit neurológico após retirada exige avaliação e imagem emergenciais.
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Contexto
A punção e a retirada de cateter neuraxial podem lesar vasos do espaço epidural. Sob anticoagulação, um pequeno sangramento pode formar hematoma compressivo, causar dor lombar, déficit motor, alteração sensitiva e disfunção esfincteriana, com risco de lesão neurológica permanente. Por isso, retirada do cateter é um procedimento de risco semelhante à inserção e deve respeitar o regime, a dose, a função renal e o horário da heparina de baixo peso molecular.
A quinta edição das recomendações da ASRA, publicada em 2025, diferencia dose baixa profilática de dose alta terapêutica. Em esquema profilático de dose única diária e função renal adequada, costuma-se retirar o cateter pelo menos 12 horas após a última dose e aguardar pelo menos 4 horas para a próxima. Regimes duas vezes ao dia e doses terapêuticas exigem regras próprias e maior cautela. Como a questão não informa produto, dose, frequência, horário nem função renal, a conduta segura é manter o cateter e coordenar a retirada com anestesiologia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Mesmo dose profilática aumenta o risco de hematoma epidural no contexto de manipulação neuraxial. A ausência de sintomas não autoriza retirada fora da janela segura.
B) Correta (gabarito). Faltam dados para calcular o intervalo. O anestesista deve revisar esquema e fatores de risco, programar a retirada e orientar reinício da anticoagulação, reduzindo o risco de hematoma epidural.
C) Incorreta. Três horas são insuficientes para HBPM profilática. O intervalo usual mínimo é de 12 horas em dose baixa, podendo ser maior conforme dose, função renal e risco hemorrágico.
D) Incorreta. Quarenta e oito horas não é regra fixa para profilaxia. Pode haver necessidade de intervalo maior em dose terapêutica ou insuficiência renal, mas a decisão deve ser individualizada, não baseada em espera arbitrária.
E) Incorreta. A complicação temida é hematoma espinal ou epidural, não subdural. Vinte e quatro horas também não é intervalo universal para todo esquema profilático.