Um bebê de 6 meses é levado ao hospital por tosse, cansaço para respirar e respiração mais “rápida”. Nega ter tido febre, mas teve, logo antes do quadro atual, coriza leve e um pouco de obstrução nasal. Ao exame físico, o paciente apresenta taquipneia, retrações subcostais discretas e sibilos difusos à ausculta. Com base no diagnóstico provável de bronquiolite viral aguda (BVA), informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta. ( ) A ausência de febre não é compatível com o diagnóstico de BVA. ( ) O aumento da frequência respiratória é um sinal importante e traduz a resposta do organismo ao acometimento pulmonar pelo agente infeccioso, em uma tentativa de compensar os mecanismos geradores de prejuízo na mecânica pulmonar e na troca gasosa. ( ) Crepitações inspiratórias disseminadas por todos os campos pulmonares não ocorrem na BVA e, se presentes, indicam diagnóstico alternativo. ( ) A radiografia de tórax pode ser útil nos casos graves, e os principais achados são hiperinsuflação torácica difusa, hipertransparência, retificação do diafragma e até broncograma aéreo com um infiltrado de padrão intersticial. ( ) Na grande maioria dos pacientes, a evolução é benigna, e o processo evolui para a cura sem a necessidade de intervenção.
Pegadinha central: bronquiolite não exige febre e pode ter sibilos e crepitações.
Radiografia não é rotina; peça em quadro grave, focal ou atípico.
Tratamento habitual é suporte com hidratação, aspiração nasal e oxigênio quando indicado.
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Contexto
Bronquiolite viral aguda é o primeiro episódio de sibilância associado a infecção viral de vias aéreas em lactente, mais frequentemente pelo vírus sincicial respiratório. A inflamação, o edema e o muco obstruem pequenos bronquíolos, causando aprisionamento aéreo, aumento do trabalho respiratório e alteração da relação ventilação-perfusão.
O diagnóstico é clínico e radiografia não deve ser solicitada rotineiramente. Ela fica para quadro grave, assimétrico, evolução atípica ou suspeita de complicação. Broncograma aéreo focal e consolidação lobar bem definida devem aumentar a suspeita de pneumonia bacteriana, embora atelectasias e opacidades intersticiais possam ocorrer na bronquiolite.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A sequência erra ao classificar como verdadeira a afirmação de que crepitações disseminadas não ocorrem.
B) Incorreta. A primeira afirmação é falsa, porque bronquiolite pode ocorrer sem febre, e a terceira também é falsa.
C) Incorreta. Taquipneia, utilidade seletiva da radiografia e evolução benigna da maioria são afirmações verdadeiras.
D) Correta (gabarito). A sequência correta é F, V, F, V, V: febre não é obrigatória; taquipneia é relevante; crepitações podem ocorrer; imagem é seletiva; a maioria melhora com suporte.
E) Incorreta. Inverte a compatibilidade da ausência de febre, nega o significado da taquipneia e considera falsa a evolução benigna habitual.