Uma paciente de 24 anos, com IMC de 32kg/m2 e sem comorbidades, procura um médico cirurgião com o desejo de realizar cirurgia bariátrica. Refere que já procurou outros cirurgiões que não quiseram realizar o procedimento.
A pegadinha é confundir autonomia com direito a exigir cirurgia sem indicação.
IMC 30 a 34,9 kg/m² não significa bariátrica automática; a Resolução CFM nº 2.429/2025 exige contexto clínico selecionado.
O que fecha a indicação é a combinação de IMC, comorbidades, falha do tratamento clínico e avaliação multidisciplinar.
As recomendações internacionais são mais amplas que critérios antigos, tema que passou a aparecer em provas recentes.
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Contexto
A indicação de cirurgia bariátrica não depende apenas do desejo do paciente ou de um valor isolado de IMC. Exige avaliação de gravidade, comorbidades, tentativas de tratamento clínico, risco operatório, capacidade de seguimento e decisão compartilhada por equipe habilitada. A Resolução CFM nº 2.429/2025 ampliou as indicações brasileiras, mas manteve a necessidade de critérios clínicos: IMC igual ou superior a 40 kg/m² pode indicar cirurgia independentemente de comorbidades; IMC entre 35 e 39,9 kg/m² requer doença associada agravada pela obesidade; IMC entre 30 e 34,9 kg/m² admite cirurgia em situações selecionadas de doença grave associada, após avaliação especializada.
Diretrizes internacionais da ASMBS e IFSO de 2022 são mais abrangentes e permitem considerar cirurgia metabólica no IMC de 30 a 34,9 kg/m² quando métodos não cirúrgicos não produzem perda ponderal substancial ou durável, especialmente diante de doença metabólica. Mesmo nessa leitura, IMC 32 isolado, sem comorbidades e sem falha terapêutica documentada, não gera indicação automática. A conduta inicial é tratamento clínico estruturado, com alimentação, atividade física, terapia comportamental e farmacoterapia quando indicada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A paciente não preenche critério automático apenas por apresentar IMC 32 kg/m². Um pré-operatório completo avalia segurança, mas não cria uma indicação que não existe.
B) Correta (gabarito). Na ausência de comorbidades e de informação sobre falha de tratamento clínico estruturado, a melhor conduta é explicar que não há indicação cirúrgica imediata e iniciar manejo clínico da obesidade, com seguimento longitudinal.
C) Incorreta. Diabetes mellitus poderia modificar a elegibilidade, mas um resultado laboratorial isolado não torna a cirurgia automática. Seriam necessários diagnóstico confirmado, avaliação de gravidade, refratariedade ao tratamento e análise multidisciplinar conforme a norma vigente.
D) Incorreta. Não se exige IMC maior que 45 kg/m². Os limiares reconhecidos são menores e variam conforme comorbidades e contexto clínico.
E) Incorreta. Autonomia permite aceitar ou recusar tratamentos indicados, mas não obriga o médico a executar procedimento sem indicação técnica. Beneficência e não maleficência impedem operar apenas por insistência.