Dr. Antônio atende na UBS uma paciente de 34 anos com queixa de poliartralgias a qual traz resultado de exames que demonstram anemia, linfopenia e fator antinuclear positivo em títulos altos. Ao fim da consulta, o médico prescreve hidroxicloroquina para ela.
Pegadinha central: a toxicidade retiniana pode ser assintomática no início e irreversível.
Dose de alto rendimento: até 5 mg/kg/dia pelo peso real.
Doença renal e tamoxifeno antecipam e intensificam o rastreamento ocular.
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Contexto
Hidroxicloroquina é medicamento central no lúpus eritematoso sistêmico, pois reduz atividade, exacerbações, dano acumulado e risco trombótico. Sua principal toxicidade cumulativa é a retinopatia, causada por lesão do epitélio pigmentar e dos fotorreceptores. A alteração pode continuar progredindo depois da suspensão e não possui tratamento reversor, razão pela qual o rastreamento procura lesões pré-sintomáticas.
As recomendações da American Academy of Ophthalmology de 2025 orientam dose diária preferencialmente até 5 mg/kg do peso real, avaliação oftalmológica basal e rastreamento com tomografia de coerência óptica e autofluorescência. Em pacientes sem fatores de risco, a vigilância anual pode ser postergada nos primeiros cinco anos; doença renal, dose elevada, tamoxifeno e doença macular justificam início mais precoce.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Cardiomiopatia e distúrbios de condução são toxicidades raras, mas não constituem o rastreamento obrigatório mais característico da hidroxicloroquina.
B) Incorreta. Nefrologia pode ser necessária se houver nefrite lúpica ou redução da filtração, que também aumenta o risco ocular, mas o encaminhamento motivado diretamente pela medicação é oftalmológico.
C) Incorreta. Hepatotoxicidade clinicamente relevante é incomum e não exige avaliação hepatológica sistemática na ausência de doença hepática.
D) Correta (gabarito). O oftalmologista realiza avaliação basal e rastreamento de retinopatia por hidroxicloroquina, permitindo interromper o fármaco antes de perda visual funcional.
E) Incorreta. Citopenias podem decorrer do próprio lúpus e merecem investigação, porém não representam a toxicidade cumulativa específica que determina seguimento especializado de rotina.