Um paciente chega ao hospital com febre há 2 dias e dor em região lombar direita. Ao realizar exames, recebe o diagnóstico de ureterolitíase obstrutiva à direita, com hidronefrose ipsilateral, alteração significativa da função renal e infecção associada com sinais de sepse.
A pegadinha é querer retirar ou quebrar o cálculo antes de drenar a urina infectada.
Sepse mais obstrução = antibiótico mais drenagem urgente.
Duplo J e nefrostomia são alternativas válidas; nenhuma é universalmente superior.
Litotripsia definitiva ocorre após estabilização clínica e controle microbiológico.
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Contexto
Obstrução urinária associada a infecção e sepse é uma emergência urológica. O cálculo bloqueia a drenagem, aumenta a pressão no sistema coletor e impede o controle adequado da infecção apenas com antibiótico. Hidronefrose, febre, disfunção renal e sinais sépticos indicam necessidade de descompressão imediata, além de coleta de culturas, antibiótico intravenoso e ressuscitação conforme sepse.
As diretrizes da European Association of Urology para urolitíase recomendam drenagem urgente por cateter ureteral duplo J retrógrado ou nefrostomia percutânea. As duas técnicas são efetivas; a escolha depende de anatomia, estabilidade, disponibilidade e experiência. O cálculo não deve ser fragmentado definitivamente durante a sepse, salvo situação excepcional, porque a manipulação aumenta pressão e bacteremia. Ureteroscopia ou litotripsia são postergadas até resolução da infecção.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ureteroscopia com litotripsia imediata manipula um sistema infectado e pressurizado, podendo agravar bacteremia e choque. Anti-inflamatório também exige cautela diante de disfunção renal e instabilidade.
B) Incorreta. Antibiótico sem drenagem não controla adequadamente o foco obstruído. Litotripsia extracorpórea não descomprime de modo confiável a urgência e não deve ser feita durante sepse ativa.
C) Incorreta. Alfa-bloqueador pode auxiliar expulsão de cálculos ureterais selecionados em paciente estável, mas não substitui drenagem na obstrução infectada. Ureteroscopia definitiva deve aguardar controle séptico.
D) Incorreta. Reconhece corretamente a descompressão, mas omite antibioticoterapia, componente obrigatório da sepse urinária. Além disso, anti-inflamatórios são inadequados ou arriscados com alteração renal significativa e possível hipoperfusão.
E) Correta (gabarito). Combina estabilização, antibiótico e controle urgente do foco por duplo J ou nefrostomia. O tratamento definitivo do cálculo fica para depois da resolução da sepse.