Um paciente de 57 anos possui uma lesão esofágica estenosante e não transponível ao aparelho de endoscopia em nível de esôfago médio/distal, com biópsia revelando carcinoma epidermoide escamoso. O paciente iniciará tratamento com radioterapia e quimioterapia neoadjuvantes, porém está com ingesta praticamente nula de alimentos há vários dias.
A pegadinha é escolher gastrostomia sem lembrar que o estômago pode virar o novo esôfago.
Tumor não transponível também impede PEG convencional.
Jejunostomia é útil para manter nutrição durante neoadjuvância sem atravessar a estenose.
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Contexto
O paciente tem carcinoma epidermoide de esôfago estenosante, não transponível, com ingestão praticamente nula e necessidade de quimiorradioterapia neoadjuvante. O suporte nutricional deve usar o tubo digestivo quando viável, mas sem prejudicar a reconstrução futura. Na esofagectomia, o estômago é o conduto mais usado para substituir o esôfago; uma gastrostomia pode lesar sua parede, alterar vascularização, criar aderências ou interferir na confecção do tubo gástrico.
A jejunostomia permite nutrição enteral distal à obstrução e preserva o estômago para reconstrução. Pode ser realizada por laparoscopia ou cirurgia aberta, com atenção a deslocamento, obstrução, vazamento e infecção. A gastrostomia endoscópica ainda apresenta dois problemas adicionais: a estenose não permite passagem do aparelho e técnicas que atravessam o tumor podem carregar risco de implante tumoral no trajeto. Em candidato potencial a esofagectomia, jejunostomia é a via cirúrgica mais estratégica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A lesão é não transponível, o que inviabiliza a técnica endoscópica convencional. Além disso, usar o estômago pode atrapalhar o futuro conduto gástrico.
B) Incorreta. A laparoscopia contorna a impossibilidade endoscópica, mas a gastrostomia continua utilizando e manipulando o órgão preferido para reconstrução esofágica.
C) Correta (gabarito). A jejunostomia oferece acesso enteral durante a neoadjuvância, contorna a obstrução e preserva o estômago para eventual esofagectomia com reconstrução por tubo gástrico.
D) Incorreta. Ileostomia exterioriza o íleo para eliminação de conteúdo intestinal e não funciona como acesso alimentar apropriado neste contexto.
E) Incorreta. Esofagostomia é uma derivação salivar usada em situações cirúrgicas extremas e não fornece nutrição enteral ao paciente.