Dona Elisa, 50 anos, portadora de transtorno bipolar, retornou para consulta na UBS com exames laboratoriais relacionados à tireoide alterados após iniciar uso de medicamento.
Pegadinha central: lítio pede monitoramento de tireoide e rim durante todo o tratamento.
Hipotireoidismo pode ser tratado sem suspender automaticamente o estabilizador.
Desidratação, anti-inflamatórios, diuréticos tiazídicos e bloqueadores do sistema renina-angiotensina podem elevar a litemia.
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Contexto
O lítio interfere em diferentes etapas da fisiologia tireoidiana, reduzindo liberação de hormônios e favorecendo bócio, hipotireoidismo subclínico ou clínico. O risco é maior em mulheres, pessoas de meia-idade, indivíduos com autoanticorpos tireoidianos e história familiar de doença da tireoide.
Antes do tratamento devem ser avaliados TSH, função renal, cálcio, peso e potenciais interações. Durante o uso, função tireoidiana e renal precisam ser monitoradas periodicamente. O aparecimento de hipotireoidismo não obriga automaticamente a suspender o lítio: quando o estabilizador é eficaz, muitas pacientes podem manter a medicação e tratar a disfunção com levotiroxina, após decisão compartilhada com psiquiatria.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Carbonato de lítio é o estabilizador de humor classicamente associado a hipotireoidismo e bócio, justificando revisão da indicação, da dose e do acompanhamento laboratorial.
B) Incorreta. Carbamazepina pode alterar concentrações de hormônios tireoidianos por indução enzimática, mas seus riscos mais cobrados são hiponatremia, hepatotoxicidade, citopenias e reações cutâneas graves. Não é a associação central do caso.
C) Incorreta. Divalproato de sódio se relaciona a ganho de peso, tremor, trombocitopenia, hepatotoxicidade, pancreatite e teratogenicidade, sem ser a causa clássica de hipotireoidismo.
D) Incorreta. Quetiapina exige vigilância de peso, glicemia, lipídios e sedação. Alterações tireoidianas podem ocorrer, mas o vínculo mais característico em transtorno bipolar é com lítio.
E) Incorreta. Haloperidol é associado a sintomas extrapiramidais, discinesia tardia, prolongamento do QT e hiperprolactinemia.