Doença inflamatória pélvica

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Questão 78
ENARE · 2023

Paciente de 26 anos agenda consulta com ginecologista devido à dor pélvica com duração de aproximadamente 30 dias. Relata que não tem parceiro fixo e, nos últimos meses, apresentou relação desprotegida. Ao exame especular, apresenta secreção purulenta proveniente do colo do útero e, no toque vaginal, dor à mobilização do colo do útero e anexos. O ultrassom ginecológico não mostrou anormalidades.

Para essa paciente, qual esquema antibiótico é o mais recomendado?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Dor pélvica em mulher sexualmente ativa, secreção cervical purulenta e dor à mobilização do colo e dos anexos preenchem critérios clínicos mínimos para doença inflamatória pélvica. Ultrassom normal não exclui endometrite ou salpingite inicial, e o tratamento empírico deve começar sem aguardar comprovação adicional para reduzir infertilidade tubária, gravidez ectópica e dor crônica.

O gabarito reflete esquema antigo voltado à cobertura de gonococo e clamídia. Pelas Diretrizes de Tratamento de IST do CDC de 2021, ainda vigentes, o esquema ambulatorial recomendado para DIP é ceftriaxona 500 mg intramuscular em dose única, doxiciclina 100 mg duas vezes ao dia por 14 dias e metronidazol 500 mg duas vezes ao dia por 14 dias. Portanto, nenhuma alternativa apresenta hoje o regime completo.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Amoxicilina não fornece cobertura adequada para clamídia, anaeróbios e o espectro polimicrobiano da DIP.

B) Incorreta. Cefalexina não trata adequadamente gonococo, e ciprofloxacino não é recomendado devido à resistência disseminada de Neisseria gonorrhoeae.

C) Incorreta. Doxiciclina e azitromicina cobrem clamídia, mas não oferecem a cefalosporina necessária para gonococo nem a cobertura anaeróbia recomendada.

D) Correta (gabarito). Entre as opções, é a única combinação que cobre simultaneamente gonococo e clamídia e corresponde ao gabarito histórico. Na prática atual, porém, ceftriaxona mais azitromicina isoladamente é insuficiente para DIP; deve-se usar ceftriaxona, doxiciclina e metronidazol por 14 dias.

E) Incorreta. Clindamicina e metronidazol cobrem anaeróbios, mas deixam cobertura inadequada para gonococo e clamídia. Clindamicina com gentamicina é alternativa parenteral hospitalar em situações selecionadas.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: ultrassom normal não exclui DIP e não deve atrasar antibiótico.

  • O esquema atual é ceftriaxona mais doxiciclina mais metronidazol por 14 dias.

  • Reavalie em até 72 horas e trate parcerias sexuais para gonococo e clamídia.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doença inflamatória pélvica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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