Paciente de 56 anos procura atendimento por um quadro de prurido vulvar crônico, com piora no período noturno. É menopausada há 5 anos e nega terapia de reposição hormonal. Durante a inspeção, apresenta vulva com área de pápulas atróficas branquicentas, simétrica, regressão dos pequenos lábios e encobrimento do clitóris.
A pegadinha é tratar o prurido como candidíase. Placa branca atrófica com perda da arquitetura vulvar indica líquen escleroso.
O medicamento clássico é clobetasol tópico a 0,05%.
Seguimento periódico é necessário pelo risco aumentado de carcinoma escamoso vulvar.
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Contexto
O líquen escleroso é uma dermatose inflamatória crônica, mais frequente em mulheres após a menopausa. Produz prurido intenso, frequentemente pior à noite, placas brancas atróficas, fissuras, equimoses e cicatrização progressiva.
A perda da arquitetura vulvar é um dado discriminativo: podem ocorrer regressão dos pequenos lábios, estreitamento do introito e encobrimento do clitóris. O acometimento costuma formar padrão simétrico ao redor da vulva e do períneo.
O tratamento inicial é feito com corticoide tópico ultrapotente. Um esquema comum utiliza propionato de clobetasol 0,05% diariamente no início, seguido por redução gradual da frequência ao longo de aproximadamente 12 semanas. Depois, algumas pacientes necessitam manutenção intermitente.
Biópsia é indicada quando o diagnóstico é duvidoso, existe área suspeita, hiperqueratose persistente, ulceração ou ausência de resposta ao tratamento.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Nistatina trata candidíase vulvovaginal, não a dermatose inflamatória e cicatricial descrita.
B) Incorreta. Prednisona sistêmica não é a terapia inicial habitual de doença vulvar localizada e produz mais efeitos adversos.
C) Incorreta. Itraconazol e clindamicina são antimicrobianos e não controlam o mecanismo inflamatório do líquen escleroso.
D) Correta (gabarito). Propionato de clobetasol 0,05% é o tratamento tópico de primeira escolha, reduz sintomas e limita a progressão cicatricial.
E) Incorreta. Antibióticos tópicos não tratam a doença de base, e anti-histamínicos podem apenas aliviar parcialmente o prurido.