Um ginecologista é chamado para avaliar uma paciente de 20 anos, nuligesta, apresentando dor abdominal de início há uma semana e que foi internada na enfermaria do hospital local para investigação. A data da última menstruação foi há 15 dias. Refere não utilizar método contraceptivo de maneira regular, apenas condom esporádico. Relata dispareunia e apresenta dismenorreia que melhora com uso de AINES. PA 120x60 mmHg, FC 90 bpm, Sat. O2 99%, T. axilar 38,4 °C. Ao exame abdominal, leve dor à palpação superficial de região suprapúbica e o exame ginecológico apresenta corrimento de coloração amarelada proveniente do colo uterino associado à dor à mobilização do colo uterino. O exame ultrassonográfico revela sinal da roda dentada.
A pegadinha é confundir roda dentada com massa gestacional. Roda dentada significa salpingite aguda.
Dor à mobilização do colo já constitui critério mínimo para tratamento empírico quando não há diagnóstico alternativo melhor.
O tratamento deve cobrir gonococo, clamídia e anaeróbios por 14 dias.
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Contexto
Febre, corrimento endocervical mucopurulento e dor à mobilização do colo uterino sustentam o diagnóstico clínico de doença inflamatória pélvica. A infecção ascende do colo para endométrio, tubas e estruturas pélvicas, podendo evoluir com abscesso tubo-ovariano, infertilidade e gestação ectópica futura.
O sinal ultrassonográfico da roda dentada corresponde às pregas endossalpíngeas espessadas vistas em corte transversal de uma tuba dilatada. É um achado típico de salpingite aguda.
O tratamento parenteral completo pode ser feito com ceftriaxona 1 g por via intravenosa a cada 24 horas, doxiciclina 100 mg a cada 12 horas e metronidazol 500 mg a cada 12 horas. Após melhora clínica por 24 a 48 horas, realiza-se transição para doxiciclina e metronidazol por via oral, completando 14 dias.
A alternativa E omite a doxiciclina na descrição inicial, mas é a opção que corretamente reconhece a DIP, a necessidade de internação e a transição do esquema parenteral para o oral.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A DIP não é obrigatoriamente tratada em domicílio. Febre, necessidade de observação, suspeita de complicação ou dificuldade para excluir emergência cirúrgica justificam internação.
B) Incorreta. O sinal da roda dentada representa inflamação tubária, não apendicite. Cirurgia não é indicada apenas por esse achado.
C) Incorreta. Pielonefrite costuma apresentar febre, dor lombar, punho-percussão positiva e sintomas urinários. Os achados cervicais e tubários apontam para infecção genital ascendente.
D) Incorreta. A roda dentada favorece salpingite, não gestação ectópica. Teste de gravidez deve ser realizado, mas não substitui o tratamento da infecção evidente.
E) Correta (gabarito). A internação, o início de antibióticos parenterais e a troca para via oral após melhora e desaparecimento da febre constituem a melhor conduta entre as opções. O esquema completo também deve incluir doxiciclina.