Uma menina de cinco anos está em investigação por apresentar febre de origem não esclarecida há um mês, associada à perda de peso nas últimas semanas, sem outras queixas. Seu pai, que morava na mesma casa, teve uma doença de pulmão, tratada por longo período, segundo a pessoa que acompanha a menina. A radiografia de tórax apresenta imagens micronodulares disseminadas. Ao exame físico: eupneica, ausculta pulmonar rude, com queixa de tosse eventual.
A pegadinha é desvalorizar o contato porque o diagnóstico do adulto não foi informado. Doença pulmonar prolongada em convivente pode representar tuberculose.
Padrão miliar significa micronódulos difusos por disseminação hematogênica.
Em criança pequena com forma miliar, procure ativamente acometimento do sistema nervoso central.
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Contexto
A tuberculose miliar resulta da disseminação hematogênica do Mycobacterium tuberculosis, formando inúmeros focos pequenos em pulmões e outros órgãos. Crianças menores de cinco anos apresentam maior risco de disseminação e acometimento meníngeo após infecção primária.
Febre prolongada, perda ponderal, contato domiciliar com pessoa que teve doença pulmonar tratada por longo período e padrão micronodular difuso na radiografia formam um conjunto altamente sugestivo.
O padrão radiológico clássico é composto por micronódulos de tamanho semelhante, distribuídos bilateralmente como sementes. A radiografia pode ser inicialmente normal, e a tomografia apresenta maior sensibilidade.
O Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil orienta investigação microbiológica com teste molecular rápido em amostras adequadas, como escarro induzido ou aspirado gástrico, sem retardar o tratamento quando a suspeita de forma disseminada é elevada. Deve-se investigar meningite, alterações oculares, hepatoesplenomegalia e outros focos extrapulmonares.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Histoplasmose pode produzir micronódulos disseminados, mas o contato domiciliar, a febre prolongada e a epidemiologia apresentada favorecem tuberculose. Desinfecção doméstica não é a conduta terapêutica principal.
B) Incorreta. Vírus sincicial respiratório causa infecção aguda, principalmente em lactentes, e não explica febre por um mês, perda ponderal e padrão miliar.
C) Correta (gabarito). A combinação clínica, epidemiológica e radiológica é compatível com tuberculose miliar e exige início do esquema terapêutico preconizado, além de investigação de disseminação.
D) Incorreta. Pneumonia intersticial linfocítica associa-se principalmente a imunodeficiências e apresenta contexto clínico diferente. Broncoscopia não é a orientação principal diante da forte suspeita de tuberculose disseminada.
E) Incorreta. Pneumocistose ocorre sobretudo em imunossuprimidos, produz hipoxemia e infiltrado intersticial, e não é tratada como colonização com antibiótico oral.