Homem, 24 anos, sem comorbidades conhecidas, sob estresse emocional intenso relacionado ao preparo para uma prova de um concurso público, procurou o pronto atendimento com queixa principal de que o lado direito do rosto não se mexia havia 1 dia. Ao exame físico, apresentava paralisia em hemiface superior e inferior à direita, paralisia da pálpebra superior direita que levava à dificuldade de fechar o olho e piscar, além de desvio da rima labial para o lado esquerdo. As pupilas estavam isocóricas e fotorreagentes, e a força estava preservada (grau V) em membros superiores e inferiores bilaterais.
A pegadinha é esquecer a testa. Testa paralisada sugere lesão periférica; testa preservada sugere lesão central.
Proteção ocular é urgente quando o paciente não consegue fechar a pálpebra.
Corticoide iniciado em até 72 horas melhora a chance de recuperação completa.
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Contexto
A paralisia facial periférica compromete o nervo facial após seu núcleo, causando fraqueza de toda a hemiface ipsilateral. O paciente perde a capacidade de franzir a testa, fechar o olho, elevar a sobrancelha e movimentar adequadamente a boca.
Na paralisia de Bell, o déficit é agudo, geralmente atinge intensidade máxima em até 72 horas e ocorre sem outra causa identificável. O diagnóstico exige excluir otite, herpes-zóster, trauma, tumor, doença de Lyme conforme epidemiologia e outras neuropatias.
Lesões corticais unilaterais, como no acidente vascular encefálico, costumam poupar a testa porque a musculatura frontal recebe inervação bilateral. Assim, fraqueza predominantemente na metade inferior da face, acompanhada de déficit em membros, linguagem ou sensibilidade, aponta para causa central.
O tratamento da paralisia de Bell inclui corticosteroide iniciado preferencialmente nas primeiras 72 horas e proteção ocular com lágrimas artificiais, pomada e oclusão noturna quando o fechamento palpebral é insuficiente. Antiviral pode ser acrescentado em paralisia grave ou quando há suspeita de herpes, mas não substitui o corticoide.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Paralisia de Todd é um déficit neurológico focal transitório após crise epiléptica e costuma envolver membro ou hemicorpo, com história de convulsão precedente.
B) Incorreta. Um acidente vascular supranuclear geralmente poupa a musculatura frontal e pode produzir fraqueza de membros, alteração de fala ou outros déficits focais.
C) Incorreta. Síndrome de Claude Bernard-Horner causa ptose discreta, miose e anidrose, sem paralisia completa da musculatura facial.
D) Correta (gabarito). Acometimento agudo da fronte, do fechamento ocular e da boca do mesmo lado, sem déficit nos membros, caracteriza paralisia facial periférica de Bell.
E) Incorreta. Hemorragia subaracnoidea apresenta tipicamente cefaleia súbita de intensidade máxima, podendo causar vômitos, meningismo e rebaixamento da consciência.