A pegadinha é confundir preservação respiratória com segurança cardiovascular. Cetamina aumenta pressão, pulso e consumo miocárdico de oxigênio.
Propofol tende à hipotensão; etomidato tende à estabilidade.
Em pacientes com depleção extrema de catecolaminas, a cetamina pode revelar efeito depressor miocárdico direto e causar hipotensão.
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Contexto
A cetamina é um antagonista dos receptores NMDA que produz anestesia dissociativa, analgesia e preservação relativa da ventilação espontânea. Seu efeito cardiovascular mais característico é a estimulação simpática indireta.
Em pacientes com reserva de catecolaminas, pode aumentar pressão arterial, frequência cardíaca e contratilidade. Isso eleva o consumo de oxigênio pelo miocárdio e pode agravar o desequilíbrio entre oferta e demanda em doença coronariana ativa.
A cetamina não é uma proibição absoluta em toda doença coronariana. A escolha anestésica depende da condição hemodinâmica, do grau de isquemia e dos demais fármacos. A questão cobra o agente cujo efeito hipertensor é menos desejável nesse contexto.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Tiopental tende a reduzir pressão e contratilidade, especialmente em hipovolemia, não sendo caracteristicamente hipertensor.
B) Incorreta. Propofol reduz resistência vascular sistêmica e retorno venoso, podendo causar hipotensão acentuada.
C) Correta (gabarito). Cetamina aumenta atividade simpática, frequência cardíaca, pressão arterial e demanda de oxigênio do miocárdio, podendo ser desfavorável na doença coronariana.
D) Incorreta. Etomidato produz pouca alteração da pressão e da contratilidade, sendo utilizado quando se busca estabilidade hemodinâmica.
E) Incorreta. Midazolam não causa hipertensão como efeito predominante e pode reduzir discretamente a pressão, sobretudo associado a opioides.