Diversos fatores de risco genéticos, ambientais e reprodutivos foram associados ao desenvolvimento do câncer de ovário, sendo que cerca de 5 a 10% das pacientes apresentam predisposição genética. Nas outras 90 a 95% sem qualquer conexão genética identificável para o desenvolvimento do câncer, a maioria dos fatores de risco está relacionada com o padrão de ciclos ovulatórios durante os anos reprodutivos.
A pegadinha é atribuir efeito protetor à infertilidade. Nuliparidade e infertilidade aumentam o risco.
Menor número de ovulações ao longo da vida significa menor risco de câncer epitelial ovariano.
Contraceptivos orais combinados conferem proteção que persiste por décadas após a suspensão.
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Contexto
A maior parte dos cânceres ovarianos pertence ao grupo epitelial. Nesse grupo estão os carcinomas invasivos e os tumores epiteliais limítrofes, também chamados de baixo potencial de malignidade. Cerca de 5% a 10% dos casos apresentam predisposição hereditária reconhecida, principalmente por variantes em BRCA1, BRCA2 e genes de reparo relacionados à síndrome de Lynch.
Nos casos esporádicos, o risco relaciona-se ao número de ovulações ao longo da vida. Cada ovulação provoca ruptura e reparo do epitélio ovariano, favorecendo dano celular cumulativo. Por isso, nuliparidade, infertilidade, menarca precoce e menopausa tardia aumentam a exposição ovulatória, enquanto gestação, amamentação e contraceptivos hormonais combinados exercem efeito protetor.
A infertilidade não protege contra o câncer ovariano. A ausência de gestações e algumas causas de infertilidade mantêm maior número de ciclos ovulatórios e podem elevar adicionalmente o risco.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A afirmação está correta no agrupamento epidemiológico pretendido pela questão: as neoplasias epiteliais correspondem à grande maioria dos tumores ovarianos e abrangem carcinomas e tumores limítrofes. Portanto, não é a alternativa solicitada.
B) Incorreta. O uso prolongado de contraceptivos combinados suprime ovulações, reduz o risco e mantém proteção por muitos anos após a suspensão.
C) Correta (gabarito). Esta é a afirmação incorreta. Nuliparidade aumenta o risco, e a infertilidade não exerce proteção; em determinadas pacientes, pode aumentá-lo ainda mais.
D) Incorreta. Cada gestação a termo reduz o risco, com benefício adicional progressivamente menor após vários nascidos vivos.
E) Incorreta. A incidência aumenta com a idade, alcança valores elevados nas faixas etárias avançadas e pode apresentar discreta redução após os 80 anos.